domingo, 4 de dezembro de 2011
Notas
como tenho de colocar as notas agora até à noite, vou só postar as notas das matérias. Amanhã, pela manhã, na faculdade, deixarei meus comentários, ok? Obrigada pela compreensão.
Independência também por fazer sucesso


Pedro tem 25 anos, é um típico estudante carioca do 6° período de letras, da UFRJ.
João veio da Paraíba para o Rio de Janeiro em busca de uma oportunidade melhor de vida. Ele tem 27 anos e mora em um quarto e sala, na Lapa, região tradicionalmente conhecida pela burguesia carioca durante a noite e habitada por estudantes de fora do estado.
Henrique Cardoso, é assim que ele é chamado na faculdade, no trabalho, no diretório do partido do PT e em casa. Ele é conhecido assim por estar nas listas de das melhores festas da noite carioca.
Pedro, João e Henrique Cardoso não são amigos mas se encontram sempre num momento do dia: Todas as manhãs de segunda-feira a sexta-feira na mesma universidade – apesar de seguirem cursos diferentes - e nas festas. É impossível fazer qualquer tipo de relação entre seus gostos e afirmam que a vida os levou até ali. Porém, existe uma afinidade entre eles: Um gosta de rock, o outro prefere Jazz e o outro canta música popular brasileira para contribuir à renda mensal mas todos amam a música.
João é o mais desfavorecido economicamente e perceptivelmente mais esforçado do que Pedro que ainda mora com os pais e do que Henrique Cardoso que é “filinho de papai”. Pedro e João se apresentam de quinta-feira a domingo porque precisam do cachê mas, Henrique Cardoso, se reservou ao direito de fazer uma apresentação por semana pelo simples prazer de cantar para o público.
João chega a tocar em quatro lugares diferentes e conseguiu gravar um CD como também Pedro e Henrique Cardoso. Todos acreditam em um sucesso que esta para chegar, mas não até agora. Henrique Cardoso chegou a investir as economias que fez durante seis meses para produzir seu CD. A banda de Pedro pagou 60% do valor para gravá-lo e os pais pagaram o restante. O grupo musical de João não conseguiu fazer tudo de uma vez e demorou quase um ano atrás de patrocínio para finalizar o CD.
Eles querem conquistar fama, dinheiro, sucesso e conseguir a “tão óbvia estabilidade financeira” através da música. Muitos outros “sonhadores do canto” deste Brasil lutam insistentemente por viver somente de música, mas poucos alcançam o sucesso. Outros desistem quando se dão conta que tudo o que tinha foi investido na carreira que acaba não deslanchando. O que conseguem é perder tudo e, muitas vezes, ainda ficam com dívidas por saldar.
Pedro tem uma herança que recebeu da avó, mas não mexeu nesta poupança.
- Só com uma pequena economia eu consigo não gastar o dinheiro que minha avó deixou, manter os meus estudos e poder seguir o meu sonho. O dinheiro que ainda tenho guardado, fica para comprar coisas que vou precisar quando sair da casa dos meus pais” diz ele.
Existem alguns casos em que grupos musicais conseguem alcançar a fama de forma repentina sem grandes esforços e tornam-se exceções que só existem para confirmar a regra.
Um bom exemplo disto é o novo cantor sertanejo de 20 anos, Luan Santana. O adolescente estourou nas paradas de sucesso e hoje é considerado um ícone da nova música pop-sertaneja do país. Aonde se apresenta arrebata multidões e seus discos vendem mais do que clássicos da música sertaneja tradicional que já tem seu trabalho reconhecido pelo público e crítica desde a década de 70.
Uma outra dupla que também chegou às paradas do sucesso de forma repentina é Zezé de Camargo e Luciano. Eles deixaram o interior do país, a família, suas casas e as terras de onde retiravam o pouco dinheiro que sustenta a família para tentarem realizar o sonho de se tornarem profissionais da área da música nas capitais do país. Passaram muitas dificuldades mas conseguiram firmar-se no mercado da música sertaneja tradicional tornando-se, não só campeões de venda do segmento, mas também tendo o seu trabalho reconhecido pela crítica especializada como Arte e não somente música comercial e descartável.
A cantora baiana Ivete Sangalo foi durante algum tempo Crooner de uma banda de Axé Music. Decidiu arriscar a sorte em carreira solo e, por ter tido a capacidade de reinventar-se e dar uma nova roupagem a um segmento aonde antes atuava como mera repetidora de movimentos e ritmos, conseguiu firmar-se hoje como uma artista de voz firme, agradável e afinada e que ousou incorporou hits “lentos” da música pop nacional ao universo antes fechado da Axé Music. Quem antes de Ivete Sangalo alçar carreira solo, havia escutado falar de Adão e Eva sem mencionar as suas partes íntimas e a sexualidade na música baiana?
Até que a fama não faça parte da rotina de Pedro, João e Henrique Cardoso, eles seguem tentando fazer sucesso independente em diversas partes do Rio de Janeiro.
Um grande destaque que conseguiu sucesso rápido, pulando algumas etapas essenciais a consolidação da imagem e que permitiria a avaliação da qualidade do seu trabalho, é a Stefhany, uma menina do nordeste do país que empolgou multidões cantando “– O meu Crossfox, eu vou curtir”. Ela começou a sua “carreira” meteórica quase como uma brincadeira divulgando seu único trabalho de sucesso no You Tube. Chegando até ganhar um carro da Volkswagem por estar fazendo merchan “não intencional” e beneficiando a multinacional.
Seguiu desfrutando seus “quinze minutos de fama”, caiu no ostracismo e está de volta a sua cidade natal sem nenhuma atenção da mídia; tentando ainda em vão emplacar um novo sucesso embalado pela falsa idéia de talento adquirida no pouco tempo em que freqüentou os programas de televisão e pode escutar seu hit sendo tocado nas rádios das 05 regiões do Brasil.
Porém existem alguns exemplos que seguem uma árdua batalha por espaços na mídia para divulgar os seus trabalhos e conseguem, através dos próprios esforços, sobreviver com a comercialização de suas músicas sem a ajuda dos grandes meios de comunicação. Em algumas festas não comerciais que acontecem nas capitais e nas regiões metropolitanas do país, as atrações principais são estes grupos comumente chamados de Bandas Independentes. Eles conseguiram conquistar a atenção de muitas pessoas através do seu continuo esforço para divulgar o seu trabalho através das redes sociais, sites de relacionamentos e blogs .
Há 5 anos, a banda Nova Estado vem trilhando um caminho de tentativas. Seus músicos conseguiram emplacar músicas de sua autoria, fortalecer seu relacionamento com os fãs. Hoje, são cerca de 15 shows mensais aonde apresentam 5 músicas próprias além dos hits que sempre agradam ao público, atraindo, aproximadamente, 100 pessoas por shows.
- O público que tem vindo nos assistir tem aumentado bastante” – comenta Peter Reis, baterista do grupo.
O baterista ainda se espanta com o empenho dos fãs em ajudar a divulgar os trabalhos da banda.
– Nós mostramos nosso trabalho no ORKUT, MSN, FACEBOOK, Spicy e os Caras acompanham e ajudam a divulgar a nossa Banda. Além de, claro, freqüentarem os nossos shows. É gratificante ver tudo isto acontecendo. Nossa banda conseguiu este espaço à custa de muita dedicação e trabalho.
O baterista também afirma que o retorno é satisfatório.
– Não é só “pagar” para estar na mídia. O esforço de todos é fundamental para que possamos estar em evidência e mostrar o nosso trabalho.
Não há como mensurar o tempo que cada banda vai permanecer em evidência, mas, seus nomes devem ficar ao menos marcados na história daquela região.
Pega, por favor
Praça Saens Peña, meio-dia, sol a pino, centenas de pessoas circulando pelo vasto comércio da região. Aliás, é essa grande variedade de lojas que dá origem ao tema dessa reportagem: os planfeteiros de plantão. Chova ou faça sol.
A concorrência entre as lojas faz com que muitos comerciantes recorram a uma mãe-de-obra barata para fazer propaganda. Os planfeteiros são aquelas pessoas que destribuem na rua pequenos folhetos com propaganda de lojas ou serviços.
Adair faz propaganda de um sexshop há dois anos. Além de distribuir os planfetos, ele usa um colete com o nome do estabelecimento:
– É um trabalho muito casativo. E é chato quando você entrega o papel e vê a pessoa amassando e jogando no chão.
– E qual é o seu ritmo de trabalho? – perguntei.
– Eu chego às 9h, que é quando o comércia abre, e só vou embora lá para as 6 ou 7h da noite.
Samantha, 18 anos, faz propaganda de uma loja que compra ouro. Ela diz que tem que distribuir 200 folhetos por dia.
– É difícil. As pessoas desviam da gente. E a gente não pode ir embora enquanto não distribuir tudo. Mas eu sou esperta e descobri um jeito de acabar mais rápido. Não conta para o meu chefe, hein. Eu entrego dois ou três juntos para cada pessoa – confessou Samantha sussurando em meu ouvido.
– E você não tem medo do seu chefe descobrir?
– De vez em quando vem alguém verificar se estamos entragando direitinho. Eu sou esperta e fico atenta pra quando a pessoa chegar, eu entregar um papel por vez. Mas de qualquer maneira, é muito difícil ele perceber porque a gente entrega os dois juntinhos, parece que só tem um mesmo.
Como ela se considera muito esperta, perguntei se estava estudando ou pretendia fazer algum curso profissionalizante.
– Estou terminando a escola. Estou no 8º ano e pretendo fazer algum curso sim. Só não sei ainda de quê, talvez de cabeleleira ou manicure, mas o que eu conseguir está ótimo. Só estou aqui porque preciso ajudar em casa. Meu pai sofreu um acidente e minha mãe não dá conta de tudo.
Samantha já trabalhou distribuindo propaganda de construtoras e até se vestiu de palhaça (ao pé da letra) para chamar a atenção dos motoristas que passavam na Av. das Américas, na Barra da Tijuca, para a inauguração de um novo condomínio no bairro. No período eleitoral aparecem mais oportunidades, porque os candidatos precisam de divulgação para a Campanha:
– Quando chega perto das eleições, dá para tirar um dinheiro bom, mas a gente não tem sábado, domingo, nem feriado, é só trabalho.
– E você é fiel a algum Partido?
– Eu sou fiel a quem me paga mais. Teve um ano que de manhã eu distribuía folheto dos candidatos de um partido e de tarde de um outro partido.
– E eles não descrobriam?
– E se descrobrissem? Eu estava fazendo meu trabalho, eu não era de partido nenhum!
Perguntei o que mais incomodava no trabalho.
– A gente não tem água para beber, banheiro, nada. Se a gente quiser alguma coisa temos que comprar com nosso dinheiro. E para ir ao banheiro, negociamos com o restaurante aqui do lado pra ele liberar a gente pra fazer nossas necessidades. E também, não tem dia ruim, é na chuva, no sol, não tem jeito, tem entregar todos os papéis.
– E o que é bom no trabalho?
– É conhecer pessoas, falar com todo mundo que trabalha aqui na rua, não precisar ficar numa sala fechada.
– O que você diria para as pessoas que passam pela rua?
– Peguem nossos panfletos. Depois de ler, podem jogar fora se não interessar, mas ajudem a gente, por favor!
Enquanto eu conversava com a Samantha, percebi que muito poucas pessoas pegavam o papel. Por mais que ela se esforçasse em colocar bem perto da mão dos pedestres, eles se esquivavam e a ignoravam. Em 10 tentativas da trabalhadora, com direito a sorriso e a um “boa tarde!”, apenas três pessoas pegaram, e uma respondeu ao “boa tarde!”.
Os pedestres que circulam pela Praça Saens Peña têm opiniões variadas sobre os panfleteiros. Maria Aparecida, moradora da Tijuca, é dona de casa e nunca aceita as propagandas:
– Olha como fica a calçada: cheia desses papéis. É uma sujeira! Se ninguém aceitasse pegar, eles parariam de destribuir. O mesmo eu digo sobre aqueles vendedores de balas no sinal, que atrapalham o trânsito. Eles estão ali porque alguém compra a bala deles. As pessoas reclamam, mas não fazem nada pra eles pararem.
Já a Julia, aluna do Instituto de Educação, diz que não se importa, e às vezes pega os panfletos.
– Eles estão fazendo o trabalho deles. Quem joga o papel no chão não são eles, são os pedestres.
Maicon já foi panfleteiro. Hoje trabalha como boy em um Banco da Praça Saens Peña:
– É um trabalho duro, mesmo. Ficar o dia inteiro ali no sol, vendo as pessoas se esquivando de você não é fácil. Eu respeito o trabalho deles porque já passei por isso.
A maioria das pessoas que faz esse tipo de trabalho não tem carteira assinada ou qualquer vínculo empregatício. É um tipo de serviço que se presta de maneira informal. O contrato, muitas vezes, é de boca com o empregador. Os contratados se dirigem ao estabelecimento, pegam os folhetos e vão para a rua para fazer a distribuição.
A rotatividade é alta, pois geralmente esse serviço é considerado um “quebra-galho” depois de uma demissão ou enquanto a pessoa não encontra algo melhor. Percebemos, ainda, que os trabalhadores têm sonhos, e pretendem mudar de atividade o mais rápido possível. Laura é uma dessas pessoas. Há 3 meses perdeu o emprego de recepcionista em um consultório porque o médico se mudou de país, e ela resolveu não ficar parada enquanto não conseguisse uma outra colocação:
– Eu estou estudando para o Vestibular, preciso pagar o cursinho, por isso não tive outra opção enquanto isso. Pretendo fazer Administração, e um dia quero ter o meu próprio negócio.
Laura, assim como outros tantos jovens, sonham. E enquanto seus sonhos não se realizam, a vida precisa seguir em frente, e os caminhos vão sendo trilhados com sacrifícios e muita esperança.
Isso pode ser visto em qualquer canto do Brasil, como a Praça Saens Peña, no Rio de Janeiro.
Animais são amigos, não comida

Vegetarianos têm 40% menos probabilidade de qualquer tipo de câncer
Os não-vegetarianos têm 88% mais risco de ter câncer no intestino grosso
Vegetarianos sofrem menos de hipertensão
Vegetarianos costumam ter a imunidade maior, sendo menos atingidos por doenças oportunistas
“Tempo virá em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente como hoje se julga o assassínio de um homem”.
Copacabana macabra
“Por que estão vestidos assim?”, perguntei a um”Freddy Krueger” que passava ao meu lado.
- É uma forma diferente e descontraída de homenagear os mortos.
Segui o grupo para acompanhar de perto essa marcha macabra.
- Para onde vocês estão indo agora?
- Vamos para o Arpoador ver o pôr-do-sol. ( não sabia que zumbis eram românticos)
Durante a caminhada, o que não faltava era sangue, rostos deformados, roupas mórbidas, maquiagens assustadoras e personagens que pareciam ter saído diretamente de um filme de terror. Entre eles, um morto-vivo que conseguiu “fugir” do hospital acompanhado por enfermeiras que seguravam o soro para ele. “Vim para festa mas não posso descuidar da saúde” brincou o “doente”.
Tinha até um casal inspirado no filme “A noiva cadáver”. A noiva parecia ter sido atropelada por um caminhão, andava com as meias rasgadas, sangue nos braços e no rosto e cicatrizes pelo corpo.
Enfim chegamos ao Arpoador, e olhando as pessoas, uma me chamou a atenção, era a Marina, a “zumbizinha” de apenas quatro anos que estava acompanhada dos pais e do irmão Lucas de seis anos. A família estava lá participando do evento por causa do menino que é fã do seriado “ The walking dead”. “Eu sou o policial que mata os zumbis”, assegurou o menino.
Observava o Lucas com seu revólver imaginário tentando matar quem aparentemente já estava morto quando ouço uma salva de palmas, eram os zumbis comemorando o pôr-do-sol e mais uma edição da “Zombie walking” no Rio.
O dia de finados é triste e monótono para muita gente, mas para mim foi um dia diferente e bem engraçado.
Ano que vem estarei na marcha. Mas desta vez não como repórter, e sim como uma zumbi. Minha fantasia? Amy Winehouse. Que tal?
Liberdade
Por incrível que possa parecer o acaso e o encontro com uma antiga amiga de trabalho me levaram ao tema dessa matéria.
Ivone (vamos chamá-la assim para preservar sua identidade) na época era auxiliar de serviços gerais, nome politicamente correto para faxineira, no prédio onde trabalhei. Ficamos amigas quando meu aparelho de esquentar marmita quebrou. Como sou “cara de pau”, fui até a portaria para pedir aos porteiros uma ajuda. Ivone logo se prontificou a esquentar a minha marmita e levá-la na sala onde eu trabalhava. O tempo foi passando, não consertei minha “marmiquent” (nome do tal aparelho) e quando me vi já estava na cobertura almoçando com os porteiros, ascensoristas e claro, com Ivone.
Durante quase quatro anos e muitos almoços, lanches e festas nas casas deles, afinal todos nós já havíamos virado amigos, não tinha percebido que Ivone tinha uma deficiência,
não física ou moral, e sim uma deficiência social... ela não sabia ler e escrever.
Enganou-me durante tanto tempo com o artifício de que estava sem os seus óculos ou que a letra era incompreensível e algumas outras desculpas.O engraçado é que nesses quatro anos de convívio não percebi que em momento algum ela usava óculos. Até que um dia, também pelo acaso, descobri que na verdade ela não sabia ler.
Mas voltando ao meu reencontro casual, fiquei muito feliz em vê-la num local como aquele, mesmo sendo uma funcionária terceirizada e apesar de continuar trabalhando como auxiliar de serviços gerais, ela estava dentro de uma universidade, um local de letras e saber. Começamos a conversar e logo perguntei como ela foi parar ali e se finalmente já tinha perdido a vergonha e aprendido a ler e escrever. Foi aí que veio minha tristeza, ela continuava analfabeta.
E claro, conseguiu aquela vaga usando do antigo artifício, “será que você pode me ajudar? Estou sem óculos e não consigo ler nada”. Depois de um longo papo fui embora, triste e frustrada com a história de Ivone.
Depois desse reencontro foi em busca de informações para saber um pouco mais sobre o assunto e analisar a situação do analfabetismo no Brasil, fui atrás dos números que
poderiam me atualizar e confesso que ficou assustada com o que vi.
O último CENSO realizado, 2010, revelou que o Brasil tem quase 14 milhões de analfabetos, quase uma Bahia inteira de pessoas que não sabem ler ou escrever. E esse número só se refere as pessoas com 15 anos ou mais, se levarmos em conta que as crianças são alfabetizadas entre os 5 e 6 anos, não quero nem pensar quantos analfabetos temos então.
A queda na taxa de analfabetismo tem sido muito lenta em 10 anos não chegou nem a 4%. O próprio presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, afirma que essa taxa "não cai tão rápido". O principal motivo para isso, diz Nunes, é a dificuldade da alfabetização de pessoas mais velhas. A medida que se avança na faixa etária o percentual vai aumentando absurdamente.
Depois desse reencontro e os numeros com que me deparei, parti efetivamente para minha matéria e fui em busca de uma história de vida, mas queria uma história diferente da de Ivone e de outros milhares de brasileiros.

Cheguei num final de tarde, em pleno feriadão, na casa de Seu Francisco, em Guap
imirim. Uma casa bem simples, reboco caindo, a pintura deveria ser branca mas estava amarelada pelo barro e pelo tempo, a casa era de telha mas sem laje, no terreno muito mato, capim alto. O cachorro latia e pulava animadamente amarrado numa corda, dava boas vindas aos visitantes. E no ar, um cheirinho de café sendo passado na hora, delicioso!
_ Nasci no interior da Bahia. Lá, naquele fim do mundo, só tinha cana de açúcar. É cana para todo o lado. Cresci num barracão dentro de uma fazenda. Meu pai e minha mãe eram cortadores de cana. Com uns 10 anos, eu já estava na “lida. Não sei o dia que nasci e meu registro de nascimento só foi feito quando saí da fazenda e fui para uma cidade pequena, lá por perto da fazenda mesmo, mas aí já era homem feito._ Antes disso o senhor nunca tinha saído de lá?
_ Não minha filha – responde ele carinhosamente.
_ Mas o que o senhor fazia, como vivia, brincava com o quê? – disparei eu feito uma metralhadora.
Seu Francisco dá uma pausa para servir o cafezinho acompanhado de um de bolo de milho, muito envergonhada pois detesto bolo de milho, aceitei o café e educadamente recusei o bolo dando a desculpa de que já tinha comido muito naquele dia.
_ Bolo de milho dá “sustança” (sic) minha filha, você devia comer.
Com um sorriso tão amarelo quanto o bolo, recusei novamente. Então, ele voltou a sua história.
_ Eu não me lembro de brincar. Lá a gente acorda na escuridão. Minha mãe então acordava antes ainda, preparava uma garrafa de café e montava as “bóia”. A gente saia no escuro e subia no “pau de arara” (caminhão que transportava os trabalhadores). Pequeno, ficava o dia todo no canavial sentado junto com outras crianças. Assim que tive força para levantar o facão, comecei na lida também. A gente começava junto com o primeiro faixo do sol e só terminava quando o sol estava indo. Até que um dia, veio o pessoal do governo e tirou nós tudo da fazenda. Tinha lá umas 50 famílias. A gente vivia como escravo, foi o que falou o pessoal do governo. A gente trabalhava de sol a sol e tava sempre devendo ao patrão. Quando fui tirado de lá, já tinha mais de 30 anos, aí que tirei documento. Achei que tinha encontrado a liberdade. Continuei trabalhando no canavial, mas agora ía por temporada, São Paulo, Minas e ganhava meu dinheiro. Casei e tive dois filhos, mas minha família ficou pela vida. Uma hora não conseguia mais trabalhar na cana, achei que ía morrer de fome, foi quando me apareceu um trabalho aqui no Rio, era pra trabalhar em obra. Depois me aposentei e vim morar aqui.
Curiosa com toda a história de Seu Francisco, pergunto como ele foi parar na escola.
_ Eu sou da igreja e um padre que tinha aqui vivia dizendo que os adultos tinham que aprender a ler para não ser enrolado pelos espertos. Eu nunca liguei, achei que já estava velho para essas coisas. Até que um dia Seu Bastião falou que estava aprendendo as letras e que era muito bom. Resolvi então tentar aprender esse negócio.
_ Quantos anos o senhor tinha na época? - pergunto eu.
_ Isso foi outro dia menina. – responde ele numa gargalhada. – Ih, já ía meus 83 anos. Foi muito difícil, eu tô velho, não enxergo direito, ficava muito cansado. Mas aos pouquinhos fui me entendendo com as letras e conseguia organizar elas na minha cabeça.
_ Mas o que foi aprender a ler para o senhor?
_ Minha filha depois que aprendi a ler nunca mais fiquei sozinho. Agora tenho sempre amigos aqui, leio até para as crianças pequenas e os livros também são meus companheiros. Mas o bacana de aprender a ler é que eu descobri de verdade o que era liberdade. Pensei que a liberdade tinha chegado quando me tiraram da fazenda e fui para a cidade, mas a liberdade chegou de verdade quando aprendi a ler. Não preciso da ajuda de ninguém.
Quando Seu Francisco falou isso pensei logo em Ivone, e no “será que você pode me ajudar?”.
Ah! E claro que na hora de ir embora, Seu Francisco pegou um pedaço de bolo embrulhou num pedaço de papel de pão e me deu para eu comer, afinal bolo de milho dá sustância.
*fotos - casebre feito de barro (Cristiano - Tiano); cortador de cana (Grupo Móvel 15a CRT)
Bares Tijucanos

Estudar longe de casa. Como é sair de casa atrás de um diploma.

Ai, que preguiça!
Ai, que preguiça!
No Aurélio: Aversão ao trabalho; indolência; moleza.
Diante dessas palavras sentimos até remorso por todas as vezes que nos esticamos na cama e deixamos tudo pra lá. Afinal, que espírito de vagabundagem é esse? Nós negamos, tentamos empurrar a preguiça pra lá, um café aqui, um estimulante acolá.
Mas, para preguiça, parece que não há remédio que baste. E, nessas horas, quem há de negar que baixa um Macunaíma dentro da gente que fica nos dizendo: “Ai, que preguiça!”. É só ter uma tarefa a executar, um trabalho para escrever, um horário a cumprir ou uma obrigação qualquer para fazer que lá vem a tal da preguiça perturbar a execução do ofício.
Quando não temos nada para fazer, nos perturbamos com isso, e tentamos arrumar qualquer ocupação para driblar o ócio. E para piorar a fama da tal preguiça (bem como nosso ódio por ela), a danada nunca aparece nessa hora. Só aparece, mesmo, quando não deve.
— Ter preguiça está no prazer em procrastinar (risos). Não fazer nada quando não se tem nada pra fazer, não é preguiça, é falta de opção – sentenciou o bancário, Leone de Araújo, preguiçoso assumido e em eterna luta contra o aconchego do sofá da sala.
Para a igreja, pecado capital. Para os economistas, pecado contra o capital. Fato é que a preguiça em excesso atrapalha a produtividade e o desenvolvimento de qualquer tarefa. E com isso, o preguiçoso, carrega a culpa (justa ou não). Dia após dia são taxados de incompetentes, vagabundos, improdutivos, indolentes, pecadores e sabe-se lá mais o quê.
Mas, às vezes, ainda é mais fácil carregar um piano desses nas costas do que levantar do sofá. Vida que segue e preguiça também.
“A preguiça sempre foi o meu forte. Não é nenhuma glória, é um dom. Um dom raro. É certo que existem muitos farniente, mas um autêntico preguiçoso é exceção. Isso nada tem a ver com alguém que anda com as mãos nos bolsos. Ao contrário, o que melhor caracteriza um preguiçoso é o fato de ele estar sempre intensamente ocupado”Jerome K.