quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Paul McCartney - Noite mágica no Morumbi

Por Daniel Fellows, da UCAM, na Tijuca
Lá estava eu, depois de mais de 20 anos... Sim, eu fui ao show do Paul em 1990 e também tenho essa noção: já to ficando velho! Mas não é sobre isso que eu quero falar agora. Quero lhes contar sobre minha experiência no último show de meu maior ídolo, Sir James Paul McCartney, que rolou no bairro do Morumbi, em Sampa.

Tudo bem que alguns das gerações mais jovens de hoje o acham “um velho”, mas pô, o cara foi um Beatle, né? Um BEATLE! Só isso já deveria contar como medalha para uma figura tão querida como o nosso baby-face.

Com quase 70 anos de idade, lá estava ele, canhotinho, agitando o estádio do Morumbi, em sua lotação máxima, com sucessos de seus 50 anos de carreira. Beatles, Wings, carreira solo... Tudo foi lembrado da melhor maneira. E a plateia não conseguia parar de ovacionar.

O show
Depois de algumas horas de espera, finalmente chegou o momento. As luzes do estádio se apagaram e Paul McCartney apareceu no palco tocando um dos maiores sucessos dos Wings nos anos 1970, “Venus & Mars/Rock Show”, o que já fez muita gente ao meu lado se debulhar em lágrimas. Logo depois, quase que emendada no primeiro medley, veio “Jet”. Comecei a sentir minhas perninhas querendo pular sem que meu cérebro mandasse. Foi aí que eu tive a noção: “Estou aqui! CARA, EU TÔ AQUI!”.

A apresentação foi se desenrolando e cada vez mais os sucessos do cavalheiro da Rainha da Inglaterra foram impressionando as pessoas que estavam presentes. Quando “All My Loving” começou, foi muito fácil achar que estava chovendo. Lá de cima da arquibancada, eu conseguia ver TODO MUNDO CHORANDO. Quase me contagiei, mas pensei: “Peraí, estamos no show pra nos divertir, não para chorar”. Logo depois eu entenderia na carne que o choro era por causa do mais puro sentimento de felicidade.

Mais algumas músicas se passaram e a emoção foi cada vez mais tomando conta do meu cerne, que já estava quase cedendo a momentos de alcance ao NIRVANA da alma.

Minhas lágrimas

Aconteceu, finalmente, quando Sir Paul, em um dos breves intervalos entre uma música e outra quase chorou também. Ele se esforçou para falar em português com a plateia, que não acreditou no que estava ouvindo: “Eu escrevi essa música para o meu amigo, John!”, disse, em um sotaque macarrônico. A comemoração ensandecida dos fãs foi ensurdecedora. E Paul começou a dedilhar as cordas de seu violão...

Durante a canção, imagens emocionantes de Lennon passavam por detrás do palco, em um telão gigante que até quem estava do lado de fora do evento conseguiria enxergar. Os Beatles abraçados, John e Paul se cumprimentando, shows ao vivo dos fab-four de Liverpool... Daí me veio à cabeça novamente: “CARA, EU TÔ NO SHOW DO PAUL! UM BEATLE! OS BEATLES!”.

Nesse exato momento, fui totalmente incapaz de camuflar meus sentimentos e as lágrimas rolaram soltas. Me redimi. “Estou chorando, mesmo! Qual é o problema!”, gritei dentro de minha cabeça.

A música terminou e logo ele emendou mais uma homenagem, desta vez a outro grande amigo, também já falecido, o outro beatle, George Harrison, que Paul começou a homenagear tocando um Ukulele, instrumento havaiano bastante similar ao nosso popular cavaquinho.

A música ia rolando só na voz e no instrumento até que, de repente, toda a banda entrava junto com o astro principal, como se fosse em sua versão original! Eram os Beatles na minha frente, mais uma vez! E lá veio minha segunda leva de lágrimas para os quatro rapazes de Merseyside.

Chegando ao fim
Depois do momento “difícil” que foram as minhas lágrimas, mais alguns sucessos foram relembrados e a plateia não parava de comemorar: “PAUL, PAUL, PAUL, PAUL, PAUL”, entoava a galera, a todo instante em que o silêncio tomava conta do ambiente. Até o Paul quase veio às lágrimas quando percebeu as palavaras que escutava. Momento indescritível.

McCartney se aproximou do fim de sua apresentação fazendo dois bis para o seu público, que comemorou como se fosse o Brasil ganhando pela sexta vez o título mundial em uma Copa do Mundo.

O susto

Ao terminar tocando “The End”, Paul hasteou a bandeira do Brasil e a abanou de um lado para outro, para o delírio de todo o país, que também assistia à apresentação ao vivo, pela TV. Uma chuva de confetes tomou conta do palco. Diante daquela confusão visual que se formou por causa dos flocos de papel colorido suspensos no ar, Paul, que estava pulando de alegria, não percebeu uma das caixas de retorno de som ao seu lado e levou o maior estabaco!

A palteia ficou totalmente estática, preocupada com o que poderia ter acontecido. Foram alguns segundos que pareceram uma eternidade. Ele caiu de cara no amplificador! “Deve ter machucado”, diziam alguns. Outros comentavam mias baixinho: "Será que ele vai ficar com alguma sequela?". Eu fiquei apreensivo. O tempo parecia ter congelado... Mas logo depois, para o meu alívio e o de todos, Sir Paul, como se nada tivesse acontecido, levantou com mais um pulo e continuou agradecendo à galera. UFA! ELE ESTÁ ÓTIMO!

O grande ídolo voltou ao microfone, se desculpou pela queda, e terminou com uma frase que arrepiou os fãs até os dedões de seus pés: “OBRIGADO, BRASIL! EU AMO VOCÊS! VALEU! THANK YOU!”. Que noite maravilhosa no Morumbi...

Meu amor, minha paquera

Final de semana e o amor estar no ar, as formas de procurar são muitas, mas a intenção é única... O dia... O local... Os alvos.


Por Simone Vidal
Sexta! Dia de esquecer! Mesmo não estando mais presa ao estilo “burrocrático” de 40 horas semanais no trabalho de segunda à sexta, horário comercial, ainda fico idiota quando chega a sexta-feira. Não sei, como se o ‘findi’ prometesse mais, como se a atmosfera mudasse, acho que muda mesmo. Talvez não seja só eu quem sinta muitos poemas e músicas sobre a sexta, o sábado e o domingo foram criados. Coincidência? Bom, existem as músicas alternativas sobre a terça-feira, mas não são alternativas por acaso. A terça-feira bacana é uma alternativa, não uma probabilidade… Né? Prioridade é paquerar numa sexta.
Mas ser hetero no Rio de Janeiro em uma bela sexta feira e paquerar é fácil, mas eu, que sou curiosa por natureza resolvi saber como é a paquera no mundo gay. Como eles se comportam, olham, cheiram, piscam e todos os caminhos da paquera. Juntei uns amigos na Lapa, meus ótimos amigos gays (que já deixaram claro que não queriam ser fotografados, não por vergonha, mas nesse mundinho ainda machista e homofóbico é melhor ficar na sua). E não tem lua melhor para “as lobas” uivarem, bar, cervejinha, pastelzinho de camarão (bichas refinadas) e muitos papos.
O modelo heterossexual da etiqueta do namoro não se aplica muito bem ao namoro das pessoas do mesmo sexo. Quem pede quem em namoro? Quem abre a porta do carro, etc., quais são as expectativas de gênero? “Gay é igual a todo mundo, a gente olha e vê se a outra pessoa tá dando sopa, tá correspondendo”, falou Carlos que tem um relacionamento de sete anos com seu companheiro. “É a mesma coisa de homem paquerando mulher e mulher paquerando homem”, afirmou.
Por volta de todo preconceito e medo, os gays não deixam de levar uma vida normal, saudável como qualquer outra pessoa, o que é de todo o direito. Lógico que existem sempre o medo de ser atacado por um grupo preconceituoso.
- Por anos, tivemos a batalha internalizada da homofobia. Precisamos aprender a aceitar e amarmos a nós mesmos. Visto que a sociedade, ainda, não aprova nosso amor uns pelos outros, devemos providenciar nosso próprio suporte positivo para nossa comunidade. Quando decidimos nos engajar na "dança" do namoro somos desafiados a estender esse amor ao outro” -  disse Carlos. É uma explosão de alegria dividir essa mesa, esses amigos, essas novas idéias, e eu hetero que sou, vou aprendendo e descobrindo cada vez mais que as diferenças, quando aceitas, se transformam em amor.
- O maior cuidado é você não cantar um hetero, ainda mais se ele for homofóbico, por isso freqüentamos lugares gays. Lógico que paqueramos em todos os lugares, mas tem certos lugares que a gente sabe que não vai ter saia justa - disse Pedro, o único solteiro do grupo.
Como em toda tribo existem lugares específicos para os encontros, esse nosso encontro propositalmente foi em um lugar hetero, queria sentir o clima deles e como eles agem. O lugar estava calmo, era cedo ainda por volta das 21horas. Pessoas iam chegando e se acomodando, alguns espichavam seus olhos até a nossa mesa, não sei se já era paquera, só sei que se a intenção do publico feminino foi essa, elas perderam tempo.
As únicas mulheres gays no lugar eram Bete e Ana. Elas se conheceram numa boate Gay. 
- Fui apenas acompanhar uns amigos, saímos do teatro e como a maioria preferiu uma boate gay, fui voto vencido. Assim que Bete se aproximou, me encanou com um papo bobo sobre garotos - riu Ana- e complementa: - Ela é que não entendeu que eu só estava sondando o terreno - completou Bete. Pra muitos parece ser assustador e assim foi para Ana, que se considerava uma pegadora de rapazes, só que o amor brotou e aprendeu com Bete que o muitos bissexuais, como ela se denomina, apaixona se pela pessoa e não pelo sexo. Parece bonito falando, mais ela me contou que mesmo sendo uma mulher independente e com 30 anos esconde esse relacionamento dos pais há pouco mais de dois anos.
- Como o papo é paquera, Pedro resolveu atacar e me pediu para observar. Eu olho o andar da figura é claro, espero um pouco para ver se está acompanhado, caso não esteja olho rapidamente e tiro em imediato o olhar dele. Espero um pouco e volto a olhar se e ele olhar nos meus olhos, já era. Lembrei a ele que a paquera pra ele ia terminar ali, porque nesta noite você é meu.

ELES QUEREM CRESCER LOGO



Enquanto as crianças desse tempo estão com pressa de crescer, muitos adultos deliram em breves momentos de nostalgia.

Por Gabriela Bernardes

Estava voltando da faculdade para casa, quando me deparei com um casal de namoradinhos que tinham, aparentemente, 12 anos cada um. Os dois, que estavam com uniforme de uma escola pública, caminhavam de mãos dadas como dois adultos. No auge da minha “solteirice”, pensei: “a infância está acabando”.

Um flashback passou em minha cabeça e tive algumas recordações dessa saudosa época da minha vida. Eu, que vivi a infância na década de 90, saboreei por alguns instantes aqueles (maravilhosos) momentos. Acordar ouvindo os latidos da Priscila, da TV Colosso, correr para dançar “Chorando se foi”, cantar Chiclete com Banana (quando a micareta nem sonhava em existir), se divertir brincando na rua, onde meninas e meninos pareciam ser uma coisa só... Ah, quantas saudades!

Voltando para este tempo, vemos que nem proteção de exposição em público as crianças têm mais. Algumas nem querem, Maísa que o diga. Trabalha no SBT como um adulto. Nem quando brigou com Sílvio, deixou de trabalhar. E muitas outras crianças tambéms estão assim. Há um pouco mais de um ano, o mundo inteiro acompanhou ao vivo Paris Katherine, nesta feita com 11 anos, no funeral de seu pai, Michael Jackson. “Ele foi o melhor pai que se pode imaginar”, disse Paris. Após essa declaração, Paris teve sua imagem demasiadamente explorada, como se não bastasse a vida complicada que já tem. Michael Jackson que lutou a vida inteira para esconder o rosto de sua prole, deveria estar se revirando no caixão.



E são eventos como este e daquele casal de namoradinhos que ajudam na conclusão de que a infância está acabando. O americano Neil Postman, em seu livro, “O Desaparecimento da Infância” (Editora Graphia), afirma que “A infância é um artefato social, não uma categoria biológica”. Isto é, em algum lugar do passado, os adultos decidiram que os seres humanos com até 12 anos, teriam uma proteção específica, na qual incluiriam cuidados e direitos únicos, tal como não trabalhar, só estudar. O historiador já previa, no início da década de 80, o fim iminente da puerícia, quando afirmava que o fato de crianças e adultos assistirem os mesmos programas de TV era um erro. Ah, se ele soubesse que a internet iria virar o point da garotada.

Mas a infância sobreviveu um pouco mais e agradeço a Deus pela oportunidade de poder conhecê-la em vida e não apenas em comunidades no Orkut. E, por falar nelas, há tantas comunidades de revival das décadas nas quais nos divertíamos de verdade, que até entrei em algumas. “Nostalgia”, “100 coisas da década de 90”, “Que saudades da minha infância”, são exemplos.

Mas acordemos e voltemos à (dura) realidade.


Mas porque tanta pressa?

Surgiu na década de 50 a idéia de que a adolescência seria a melhor fase da vida. A teoria de “Forever Young”, ou seja, a aspiração de estar na juventude foi e é algo sustentado pelo marketing. E, para que as crianças desde cedo já vão gerando em si esse desejo, foi criado o conceito de pré adolescência, na qual o comportamento é ligeiramente contido mas o apelo sexual é revelado assim que possível.

Vemos isso quando assistimos as “musas” da Disney. Miley Cirus, Demi Lovato e companhia apesar da pouca idade já estão na frenética busca da sensualidade e do crescimento antes da hora.  Quando vejo essas meninas que já se depilam, se maquilam, fazem chapinha nos cabelos e esses meninos que mal têm sua primeira polução noturna já tendo vida sexual ativa, me pergunto se eles sabem o que é ser adulto. Será que elas têm idéia de como é chato ser adulto?

Ter responsabilidades, estar preso a contas intermináveis, problemas aparentemente insolucionáveis... Estou cansada só de pensar nisso.

Por mim, nunca saberia essa resposta. Viveria eternamente na magia de ser criança.



terça-feira, 23 de novembro de 2010

Trem do tempo no Rio Comicon

                                                                                                                                                                         Havia um tempo em que eu vivia, eu sonhava, eu acreditava, esse momento voltou em forma de quadrinhos. Quem pode aproveitar em
barcou no trem da Leopoldina e voltou a ser criança, ser moleca, ser levado.
Por Simone Vidal

Estação da Leopoldina

Sábado cinza no Rio de Janeiro. Cidade com cara de São Paulo, nada de praia, Maracanã fechado para obras da Copa 2014 e nada de ensaio de escolas de samba. Que fazer em um feriadão cinza? Que tal voltar a ser criança? Curtir a feira de quadrinhos “Rio Comicon”, na antiga estação de trem da Leopoldina?
E foi isso que fui fazer. A estação que ficara em ponto de bala daqui a quatro anos para servir as necessidades da Copa e as Olimpíadas, não estava a ponto de bala para servir os milhares de fãs de quadrinhos que vieram curtir os traços de Milo Manara e companhia. Apesar das filas e cotoveladas que enfrentei para ver as exposições e estandes, fiquei maravilhada com os adultos virando crianças diante as cores e os desenhos em branco e preto. Em algum momento pensei, poxa posso ser da assessoria de imprensa desse evento, procurava eles para falar e não os achava. Entã,o por que não olharam para mim? Eu estava lá. À caça de algumas informações sobre o evento, encontrei Ruth, diretora financeira do evento, muito gentil ela falou rapidinho comigo em um simples refeitório construído para os que estavam trabalhando. “Procuramos vários espaços, mas nos apaixonamos pela Estação da Leopoldina, porque ela tem a cara dos quadrinhos”, disse Ruth.
Pessoas de todas as idades atropelavam-se nas bancas com revistas da turma da Mônica, Luluzinha, Marvel e revistas oferecidas por artistas independentes. “A intenção não é só mostrar quadrinhos de quem é famoso, 70% da amostra são de artista independes”, nos informou a diretora, entre uma mordida e outra na sobremesa. Fiquei muito impressionada com a quantidade de artistas vendendo suas obras na feira. Sabendo que 90% de quem trabalhar com quadrinhos não vive só da arte, o próprio Milo Manara que é consagrado no mundo todo, ganha grana com publicidade e cinema, um evento como esse é uma ótima oportunidade para o artista vender sua obra.
Observando o público, peguei-me passeando por várias tribos, do cinema, da publicidade e da música. Fui costurando as filas e estandes. A impressão dos personagens estarem andando ao nosso lado é incrível... são cores, sombras, pontos, horizontes e luzes. Rever um quadrinho que a gente folheava quando criança me fez sentir a mudança, o tempo passando. Voltamos a ter o mesmo olhar infantil, mas a cada página virada percebemos que somos os mesmos e não podemos mais ser como antes. Não sei se é a gente que invade os quadrinhos ou se é eles que entram no nosso mundo.
Cada editora tenta mostra a sua cara, mas a que me chamou atenção foi a “O quarto Mundo”, olhando o estande vi muitas revistas espalhadas pelo balcão e muitos nomes desconhecidos. Essa sim é diferente. Também era diferente por ter um único quadrinista carioca no meio de paulistas, que estavam se sentindo em casa já que o céu estava cinza. Como cinza fica muitas vezes o céu paulistano.

A invasão do Quarto Mundo




Wil, Lanika e André Caliman, quadrinistas do “O Quarto Mundo”.

Fui chegando devagar, devagarzinho, um tumulto de gente e de revistinhas. A vontade era me apossar delas e descobrir as historia de cada. Parei antes e lembrei que estava ali a trabalho, um trabalho legal, mas trabalho.
Consegui chamar a atenção de André Caliman, quadrinista do O Quarto mundo. Antes, porém, ele fez questão de deixar claro que não é uma editora e sim um coletivo de quadrinistas que se propõe a ajudar, distribuir, vender, divulgar e trocar experiências de produção de revistas independentes. Ufa! Essa trabalha. Ter muita função num trabalho parece coisa rara.
Os olhinhos do calimam brilham enquanto relata a historia do “Quarto Mundo”, ao mesmo tempo observava todos os que se aproximam da pequena banca montada pelo coletivo que ali estava naquele momento representado por apenas três quadrinista. “Foi no FIG – o quinto ano do Festival Internacional de Quadrinhos que o nosso trabalho foi reconhecido. Vários outros quadrinistas se aproximaram e o coletivo hoje já chega a ter mais de 50 exemplares”, contou André.
Em 2006, alguns quadrinistas se encontraram na terra do caroá, tramaram e executaram a missão de trazerem diversas opões de quadrinhos a preços que não doem no bolso. Puseram a mão na massa e provaram que nem sempre precisamos nos reder a lavagem cerebral que o sistema nos impõe. “Nunca seremos uma editora temos que manter a cara do projeto inicial”, afirmou ele. No momento esse coletivo está fechado para a entrada de novos integrantes, mas isso não significa que pessoas não serão bem recebidas e até orientadas pelo grupo. Existe espaço para todos é o que nos deixa claro o Quadrinista.

Genaro e a Valquíria


O mais ilustre integrante do coletivo do O Quarto Mundo é com certeza Alex Genaro (foto ao lado), o único representante carioca do coletivo. “Rio de janeiro precisava de um evento desses. Tem uma molecada boa precisando mostrar seu trabalho e aqui é o espaço ideal. Espero que o próximo não seja só daqui a 8 anos”, falou Genaro, que estava radiante com a camisa de sua criação. Valquíria uma heroína criada por ele e Alex Mir. O curioso é que eles nunca se viram, se conheceram pela internet, escrevem juntos há mais ou menos  cinco anos. A revista já esta indo para o quinto exemplar e nada. Já tentaram se encontrar algumas vezes, mas o trabalho que eles têm a parte dos quadrinhos não favorece esse encontro e mais uma vez o trabalho adiou esse encontro. “Mir teve que resolver umas coisas em São Paulo, uma pena ele não estar aqui, mas eu trouxe nossa obra no peito”, nos contou Alex.
Os dois criaram juntos uma das estórias mais lidas do Coletivo. “Valquíria é uma garota tipo Tarzan só que não usa saias e sim um shortinho. Ela cresceu na selva, mas não vou ficar falando muito sobre ela porque o final vai fugir um pouco do contexto inicial, vai ter surpresas”, ri Genaro com um ar de mistério. Além da heroína, Genaro também fez desenhos para a Editora Ediouro e tem vários projetos paralelos. “Desenho é minha vida desde moleque, adoro o que faço. Não importa para quem, já pintei a Luluzinha Teen, mas com certeza projeto pessoal é muito mais prazeroso. Eu escrevo também, só que penso primeiro nos desenho depois vou colocando as estórias, os balões, mas às vezes é preciso deixar a inspiração e pensar um pouco no lado técnico e fazer o que tem que fazer”. Com os olhos passeando por todos os traços a sua volta Alex fala que quadrinho não é só infantil, que não teme que a internet vá acabar com o interesse da molecada. “Quadrinhos não é uma coisa infantil, são formas de ver o mundo isso acontece deste os tempos do faraó. Nunca vai deixar de existir, a internet ajuda muito, só que ainda não se descobriu a forma de colocar isso a favor do autor, para que ele não saia prejudicado tem que haver uma forma para se ganhar com isso”. E com um sorriso simpático, Alex vai costurando como os olhos livro e traços. Deixo-o curtir um mundo que eu adoro, mas com certeza não enxergo como ele, vou descendo na próxima estação, espero a próxima viagem pra esse mundo maravilhoso. Espero que logo, espero que seja no encontro de Mir e Genaro.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Cadê as "novas" notas de R$10?


Nesse final de semana, eu estava jogando “Roletrando” com os meus sobrinhos. Este jogo simula uma das brincadeiras do Silvio Santos que dão dinheiro. Após uma vitória minha recebi algumas notas de 10 reais, obviamente, sem valor. Até então, tudo bem. Era só uma brincadeira, mas ela me chamou a atenção para uma coisa que eu ainda não tinha notado. As notas que recebi eram aquelas de plástico de R$10. Lembram dela? Eu nunca mais vi. Então, ao revê-la, fiquei curiosa e quis saber o que tinha acontecido com as “novas notas de 10 reais”.

Durante algumas pesquisas pela internet, notei que existiam alguns tópicos em fóruns com a mesma indagação. As respostas, na sua maioria, era concordando com o sumiço da nota ou elogiando ou falando mal dela. A internauta Elaine Cristina indagou: “Por onde andam as notas de R$10,00 de plástico? Em alguma região do Brasil alguém ainda vê com frequência estas notas? Elas ainda estão em circulação?”. Elaine obteve diferentes respostas: a usuária Thata estava criticando: “É mesmo, faz tempo que eu não vejo! A última que peguei estava em estado deplorável. Era para durar, mas não dura nada. Acho que estão parando de colocá-las em circulação porque todo mundo prefere a de papel”. Já a bancária Malu trouxe a posição dos bancos: “As notas de R$10,00 de Polímeros (plástico), assim com as notas de R$1,00 (verdinhas), deixaram de ser fabricadas pelo seu alto custo, mas ainda valem. Muitos colecionadores vendem e compram nos sites de leilão por já estarem sumindo de circulação”.

Gostei de perceber que eu não sou a única com esta indagação. Portanto, vim contar o que aconteceu. Vamos lá!

Alguns países, como o Vietnã, já utilizam as cédulas de polímero (plástico) em todas as notas de sua moeda. É comprovada a maior durabilidade destas notas. Segundo o Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB), as cédulas plásticas têm durabilidade média de quatro anos, enquanto as tradicionais, de papel, duram cerca de um ano apenas. Outro fator foi a segurança, as notas de plástico são mais difíceis de serem falsificadas.

Portanto, apesar do alto custo, algumas nações optaram pela nota de polímero. O Brasil quis testar este novo modelo. Para entrar em experimentação, o Banco Central (BACEN), aproveitou os 500 anos do descobrimento do Brasil para lançar uma nota comemorativa. A escolhida foi a de R$10, que adotou novo layout e material, que muitos conhecem.

Pesquisas do Ibope apontaram 85% de aceitação da nova cédula, no entanto, não deram continuidade à sua produção. Não se sabe os motivos, mas segundo o Banco de Notas de Polímero do Mundo (Polymer Bank Notes of the World), há uma forte pressão no Brasil para a continuação das cédulas de papel em vigor e por isso ainda é incerta a adoção do novo material.

Como não conseguiram ou não puderam adotar as novas notas, ao que parece, foram sumindo com elas até que saíssem completamente de circulação. Pelo menos elas ainda têm valor comercial e, se você ainda tem uma, poderá usá-la. Mas, no seu lugar, eu venderia para colecionadores. O BACEN faz isso e consegue R$12 em cada uma. Mas se você for um colecionador pode ir até o Edifício-Sede do Banco Central em Brasília, no Setor Bancário Sul e adquirir a sua.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Rio Comic Con

Após 17 anos cidade volta a receber grande evento de histórias em quadrinhos
Desta vez, não precisei ir muito longe pra prestigiar um evento sobre quadrinhos, afinal entre os dias 9 e 14 de Novembro, rolou na minha cidade, o Rio de Janeiro, a convenção internacional de quadrinhos - Rio Comic Con 2010. Palco de duas grandes bienais de quadrinhos, em 1991 e 1993, após 17 anos a cidade do Rio de Janeiro volta a sediar um evento de histórias em quadrinhos e cultura pop de porte internacional. O que vem a seguir é um breve relato do que eu vi no domingo, último dia da convenção.

Pra começar, devo elogiar o pessoal da Casa 21, os mesmos por trás do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) de Belo Horizonte, pela escolha do local. A Estação da Leopoldina foi uma escolha perfeita, um local de fácil acesso para pessoas que vem de diversas partes do Rio. Trata-se de uma antiga estação ferroviária, inaugurada em 1895 e desativada em 2004, que faz parte da história da cidade. Assim que fiquei sabendo do local, comecei a imaginar como os caras conseguiriam transformar aquele espaço vazio e geralmente entregue ao acaso num local apresentável para uma convenção internacional.

A resposta estava ali diante dos meus olhos: uma excelente organização, um design maravilhoso gerando a atmosfera perfeita pro evento. O local contava ainda com uma praça de alimentação montada em uma das plataformas da antiga estação (embora os preços estivessem meio "salgados"). O lugar estava bem cheio no domingo, com a presença de fãs de carteirinha com a camisa dos personagens, cosplayers, casais de namorados, famílias, adolescentes e até a presença de globais como Caruso e Lúcio Mauro Filho.

Próximo à entrada, estava a exposição "Milo Manara in Brasile", num ambiente fechado e climatizado estavam 101 obras originais do autor incluindo seu desenho para o cartaz da Comicon, seus trabalhos em parceria com o cineasta Frederico Fellini e a capa de X-Women, revista produzida em parceira com Chris Claremont, que mostra uma aventura com Tempestade, Kitty Pryde, Garota Marvel, Psylocke, Vampira e Emma Frost em Madripoor. Este foi o primeiro trabalho de Manara com super-heróis. Foi uma pena que a Panini não tenha publicado a tempo a revista para a convenção, pois seria uma oportunidade única para pegar um autógrafo com Manara (Eu duvido que o mesmo volte ao Brasil tão cedo, já que tem medo de avião, tanto que pra dar entrevista pro Programa do Jõ em São Paulo ele foi e voltou de carro).

No centro da convenção, cercado pelos stands estava uma exposição com os trabalhos dos convidados internacionais e nacionais do evento: Kevin O´Neill (da Liga Extraordinária), Melinda Gebbie, Fábio Zimbres, Rafael Sica, Allan Sieber, Leonardo, Arnaldo Branco, Ota (da revista MAD), Kako, Orlando Pedroso, Fido Nesti, Rafael Coutinho, Angeli, Laerte, Lourenço Mutarelli, Patricia Breccia, Killofer, François Boucq, Fábio Moon, Gabriel Bá e Rafael Grampá.

Todos estes artistas participaram de sessão de autógrafos na chamada Plataforma dos Desenhistas, que era uma das plataformas da estação com direitos a trens antigos estacionados e tudo mais. Domingo, foi também o dia do Mauricio de Souza e a fila pra pegar um autógrafo estava imensa. E mesmo depois de ter feito uma palestra no auditório, ele ainda teve fôlego para pacientemente atender a todos os fãs e voltar para o auditório para participar de uma outra palestra chamada "Homenagem aos Mestres dos Quadrinhos Mundiais".

A maioria dos stands era de quadrinhos independentes, o da Panini estava uma vergonha. Era o campeão de reclamações entre os fãs. Eu fui seco pra ver se comprava alguma coisa e descobri que eles estavam apenas fazendo assinaturas e os encadernados expostos eram os brindes pra os novos assinantes. Achei que a editora deveria ter montado um stand similar a da Bienal do Livro, grande, com diversos quadrinhos a venda com desconto, mas não foi o caso.

O stand FODA (era este mesmo o nome) dos artistas Fábio Moon, Gabriel Bá e Rafael Grampá estava muito legal. Era bem fácil trocar idéias com os caras, tirar fotos e pegar autógrafos. O Rafael Grampá estava vendendo uns pôsteres que ele autografava na hora, tinha um com uma pinup do Demolidor feita por ele pra edição 500 de Daredevil , tinha um com a capa da sua obra pra Marvel, Strange Tales II e um do Furry Water publicado pela Dark Horse. Enquanto ele autografava pra mim, perguntei a ele como tinha sido desenhar pra Marvel. Ele disse que tinha sido normal, como qualquer outro trabalho, nada de especial segundo ele. A Marvel deu "carta branca" pra ele escolher o herói que ele quisesse e ele escolheu seu preferido quando criança: Wolverine. Além de desenhar, ele escreveu o roteiro que mostra sua visão do personagem, uma visão única, diferente de tudo que está sendo feito e que já fizeram sobre o personagem. Sobre a capa, ele comentou que eram os heróis preferidos dele quando criança.

Pra finalizar, como pontos positivos do evento, destaco a escolha do local e a organização do mesmo. Estava tudo muito legal, desde a iluminação até a arrumação dos stands. Outro ponto a favor foi o destaque pros quadrinhos independentes e a valorização destes artistas que muitas vezes passam despercebidos do grande público. Infelizmente meus elogios param por aí. Senti falta dos super-heróis e acredito que não fui o único, vi diversas crianças e pais que devem ter saído decepcionados do evento, imaginando levar seu filho pra uma convenção de quadrinhos e não vendo nada sobre nenhum super-herói conhecido das crianças como Batman e Homem-Aranha. Poxa, estes super-heróis estão presentes em diversas mídias desde os desenhos de TV que a criança assiste aos jogos de videogame que ela joga. A sorte destes pequenos foram os cosplayers como o do Homem-Aranha, Mulher-Maravilha e outros personagens que atenderam a todos os pedidos de fotos e fizeram a alegria de diversas crianças. Estes caras salvaram o dia pra elas.

Não quero desmerecer os convidados internacionais, mas a organização poderia ter feito um mix, trazido artistas da Europa e também grandes nomes dos quadrinhos americanos, seja da Marvel e da DC, ou até mesmo artistas nacionais que trabalham pra ambas editoras que sequer foram convidados. Imagine se além de uma exposição com 101 obras originais do Manara pudéssemos ver uma do Mike Deodato, por exemplo. Para isso, as empresas como a Panini, a Mythos e as lojas de quadrinhos do Rio tem que apoiar o evento e trazer um stand de verdade com venda de quadrinhos, descontos, sorteio de brindes e muito mais.

Acho que a receita do sucesso de uma convenção é a variedade. Deve ter Marvel, DC, quadrinhos independentes, manga, cosplay, games, filmes, animações, e principalmente atividades e exposições pras crianças, pois elas são o futuro do mercado dos quadrinhos por aqui. Tem que agradar aos fãs antigos e tem que agradar ao público em geral, não só uma pequena parcela de leitores "cult, "indies", "adultos" ou similares. Para mim, convenção tem que ser diversos gostos e personagens, de Ranxerox a Druuna, de Mickey a Capitão América, todos dividindo o mesmo espaço. Tem que ter quadrinhos pra todos os gostos.


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

“Não me importo de beijar geral, não”


Por Alice Désirée

Os relacionamentos hoje em dia estão mudados. Antes que qualquer um possa ter algum "PRÉconceito" sobre isso, cada faz o que quer com quem quiser e do jeito que quiser. Ouvi duas pessoas que “sossegaram o facho” depois de muitas experiências, que para as pessoas que se acham normais, seriam altamente vulgar. Para não ter briga, falei com um homem e uma mulher, que pediram para não se identificar, trocando seus nomes para Luís e Nicole.

Nicole, sempre gostou de sair para dançar e se divertir bebendo com as amigas. Logo no início ela revela: “No carnaval de 2008 durante 4 dias, acho, beijei 16 pessoas! E ainda foi pouco! pouco para a maioria da população porque para mim estava de bom tamanho. Não me importo de beijar geral, não.” Dentre as histórias “cabeludas” que ela contou que o ruim é que ela sempre se apaixonava por um cara ou outro que era de uma noite só. E pelo jeito muitas pessoas não ligam para coisas piores: “Umas duas vezes eu vomitei e logo depois fui beijar gente. Na segunda vez que isso aconteceu as duas pessoas que beijei sabiam que eu tinha vomitado”.

À seguir o depoimento de um dos “causos dela:

“Uma vez no Carnaval vimos dois caras lindos mas eles nada de chegarem na gente. Isso no sábado. Aí na segunda, estávamos andando atrás do trio, quando de repente, quem puxa? Um dos meninos. Ai, ai. Passamos mal! Aí o que eu queria veio e pediu para ficar comigo, me beijou. Aí o outro ficou com a minha amiga. Aí queríamos ir ao banheiro. Eu falei para irmos na casa da Maricreuza [amiga da Nicole] Aí os meninos falaram para ir no apartamento deles. Eles falaram que a gente podia ficar com a chave do carro, carteira de motorista, identidade, chave da casa, tudo; se eles fizessem algo que não quiséssemos era para denunciarmos eles. Acabamos indo para o tal apartamento. Perguntamos qual era e mandamos eles ficarem lá embaixo esperando. Abrimos a porta, entramos, trancamos a porta e fomos fazer xixi. Aí eu queria ver o apartamento, mas ela não deixou dizendo que eles iam falar que a gente estava roubando algo. Abrimos a porta e quem estava no corredor?? Um dos meninos. Aí saímos, ficamos na escada. O menino fez respiração boca a boca em mim e o outro disse q não sabia fazer. Aí mandei o que fez em mim (eu estava pegando) fazer na minha amiga e ele foi e fez. Aí o outro disse que queria também. A gente falou q ele não sabia fazer e ele disse que mentiu e fez nela e em mim também. Depois, eles duvidaram que a gente desse um selinho e a gente foi e deu (a gente já fazia isso mesmo). Aí eles ficaram com cara de bobos. [risos] Depois minha amiga comeu o açúcar da casa dos meninos. Foi mais engraçado porque ela estava alta. Depois nós entramos e eu fiquei me agarrando com o bonitinho e ela ficou na escada ainda do prédio. O menino quase sem roupa e eu apareci na escada também. Daqui a pouco quem a gente vê? O menino que eu estava pegando. E como ele estava? Só de cueca no corredor! Depois disso entramos todos, o menino deu um selinho no outro para ver a gente se beijando. E eu e ela nos beijamos. Depois o dela me beijou, o meu beijou ela, nós duas beijamos um, e depois o outro, nós duas ao mesmo tempo, depois nós quatro nos beijamos juntos. Quase uma orgia.”

Por incrível que pareça, Nicole hoje já está namorando há três meses. Mas ela diz que é um namoro sem muita cobrança, senão ela larga.

Mas como nem tudo na vida é feito de rosas, eu falei com o Luís que teve de passar por um grande perrengue na vida dele para acordar e ver que realmente precisava para com essa vida de pegador. Quando era mais novo ele saía para muitas chopadas na faculdade. Em uma dessas, ele conheceu uma mulher mais velha – a qual não quis revelar o nome – começou a “ficar” com ela. Toda noite ela aparecia na faculdade para pedir por uns “amassos”. Até que um dia, Luís levou um grande susto:

“Eu estava dirigindo para casa e um Honda Civic preto e com vidro fumê fechou o meu carro. Eu não entendi e comecei a xingar o cara. Ele abriu a janela e falou para eu entrar no carro e calar a boca. Eu entrei no carro e quando eu olhei o cara estava segurando uma arma. Ele disse ‘Fica quieto, eu sei que você está com a minha mulher. É agora mesmo que você vai morrer.’ Eu fiquei branco e na hora inventei uma história de que eu não sabia e disse que eu tinha filhos pra alimentar e, enfim, o cara me deixou ir e falou para eu nunca procurar ela de novo. Ela veio me procurar na faculdade, mas eu dei um sumisso e depois disso nunca mais.”

Após o susto, Luís nunca mais se atreveu a ficar por ficar e acabou conhecendo a pessoa com quem namora há 3 anos e já está prestes a casar.

Esse amor pós-moderno faz muitas pessoas ficarem felizes momentaneamente, mas por que será que essas pessoas têm esses relacionamentos dia sim, dia não? Quando eu perguntei aos entrevistados eles responderam que foi uma fase ou que estão apenas curtindo a vida.

O gênio do capacete amarelo


Minha noite de feriado virou, por duas horas, uma manhã de domingo. Sempre gostei um pouco de velocidade, mas hoje tenho preguiça de acordar cedo arrumar um café e ver a F1!

Por Simone Vidal
Gostava da época em que a preguiça era brindada com uma vitória genial! Queria me animar e animar os outros a assistir os GPS, principalmente o de Mônaco! Mas, infelizmente, nossos pilotos me desanimam a acordar cedo.

Vetel é o novo campeão mundial de F1, garoto talentoso que deu trabalho, venceu e pode facilmente entrar para o hall dos grandes pilotos. Como entrou um certo brasileiro da Silva, de capacete amarelo, que carregava a bandeira do Brasil com orgulho. Época em que o país, após um período de ditadura militar, estava mergulhado em um caos social, o que se via no país eram: crianças passando fome pelas ruas e favelas, guerras do tráfico e miséria, muita miséria.
Esse piloto de Fórmula Um trouxe alegria e orgulho para os domingos dos brasileiros, Num tempo em que a gente tinha vergonha de ser brasileiro, esse menino que carregava no próprio nome a biografia de um povo, um menino que tinha orgulho de ser brasileiro.
E já que a seleção de futebol não encanta mais e estamos numa carência de ídolos, ou melhor, nossos projetos de ídolos querem saber de grana e páginas policiais, fui ver o documentário: “SENNA, o Brasileiro, o Herói, o Campeão”. Dirigido pelo inglês Asif Kapadia e realizado com apoio da própria FIA. Eu estava na fila do cinema como quem espera uma largada, um baldão de pipoca, um refrigerante de um litro e muitas saudades. Peguei uns guardanapos de sobra, sabe como é né? A emoção pode bater e não queria sair do cinema de maquiagem borrada, até porque a fila do banheiro feminino é imensa, parece que tem exibição de filme lá dentro.
A primeira metade do documentário é soberba, pois a montagem praticamente coloca o próprio Senna narrando o que estamos vendo em tela, quase como se ele estivesse conosco assistindo àqueles vídeos, nos mostrando cada detalhe, com leves intervenções de terceiros (que jamais chegam a surgir na tela), deixando espaço para o que o público está vendo.
O filme ainda nos mostra um pouco da vida pessoal de Senna, mas a impressão que fica (que não é muito longe da real) é que, para ele, aquilo era secundário. A despeito de amar sua família e de apreciar a companhia de belas mulheres, o foco do piloto era em ser o melhor, e ele não iria descansar antes de atingir a perfeição. Todo objetivo alcançado era imediatamente substituído por outro, procurado com ainda mais afinco. A vitória era uma droga e Senna não conseguia – e nem queria – se livrar de tal vício.
Quando estava no cockpit era como se estivesse dentro de um túnel e que todo o mundo ao seu redor deixasse de existir. No mundo real, porém, as coisas eram bem diferentes, cheias de interesses comerciais e políticos. Ele começou a perceber isso no já famoso GP de Mônaco de 1984, em que levou sua limitada Toleman até o pódio, só não venceu porque a corrida foi encerrada antes da hora com a vitória de Alain Prost. Sua rivalidade com Prost parecia a de Vasco e Flamengo no futebol, dando uma publicidade até então inédita ao circo da F1. Era um duelo que se tornava uma atração internacional.
Nos quatro cantos do mundo, Senna era aclamado por seus fãs e admiradores. O duelo com seus antagonistas Prost e Jean-Marie Balestre, a politicagem e dinheiro que rolavam nos bastidores do circo foram tirando a magia que Senna sentia pela F1. Inclusive, era para ele ter sido tetracampeão, se não fossem as tramóias políticas de Prost e Balestre, que invalidaram uma vitória legítima de Senna, em 1989. Mas se Prost é o Darth Vader, Jean-Marie Balestre (presidente da FIA na época) é o Imperador Palpatine, que em uma reunião de pilotos não pensa duas vezes antes de bravejar: - A decisão correta é a minha decisão. Não vemos nada de mais nesse bravejamento, ou vemos?
Sentada na minha cadeirinha, vi uma montagem muito bem arquitetada, que trouxe às telas não só o Senna bonzinho, mas mostrou o lado de malícia e esperteza do atleta, com argumentos muito bem incisos e fundamentados. O drama esboçado num longa é digno de grande reconhecimento, já que não utiliza-se de artifícios apelativos, mas sim de um verdadeiro documentário, com naturalidade e lidando com fatos incontestáveis.
E Senna foi e é assim, incontestável, mágico, gênio. Ele era exatamente como qualquer brasileiro, ele colocava rodas sujas de lama, na grama, na chuva e no seco. Traçava uma nova rota, uma nova aventura, respirava o ar da vitória como um operário coloca as mãos nas ferramentas para levar o leite para família. O Leite do Senna era a vitória e a família era o povo brasileiro. Queria ver de novo esse brasileirinho que em cada curva, em cada ultrapassagem criava uma nova bússola do destino. Pegava o vácuo e rasgava as retas como uma flecha na direção do alvo. Rabiscava sua McLaren vermelha e branca nas curvas e “retas-curvas” de Mônaco, como um alpinista que sobe o morro e sente o vento frio cortando, mas não para enquanto não ganha o topo.
Esse tal “Da Silva” que carregava no olhar antes da largada, a radiação que não foi absorvida pela atmosfera... Não media esforços para superar limites, buscar novos obstáculos... Admirava o desconhecido, ficava puto por ter perdido e feliz por ter conseguido... Sentia orgulho de si pela sua conquista e dividia isso com seu povo.
Eu queria de volta poder ver aquele capacete amarelo surgir da poeira, do buraco, da traseira do adversário com sua McLaren de solado gasto; na chuva, no sol, no frio, no calor! Queria ver atrás da bandeira quadriculada o capacete amarelo, o macacão vermelho. No lugar mais alto do pódio o champanhe molhando o boné azul do vitorioso. O hino brasileiro, o tema da vitória!
Já não sei se estou escrevendo como jornalista ou como fã. Talvez um pouco dos dois, mas com uma grande certeza: queria ver de novo esse tal Ayrton Senna da Silva, o gênio do capacete amarelo.

A precariedade dos hospitais particulares

A PRECARIEDADE DOS HOSPITAIS PARTICULARES

Saguão do Hospital de Clínicas de Jacarepaguá, segunda-feira, 8 de novembro de 2010, 21 horas.

- Moça meu filho está com suspeita de catapora. – Diz a mãe, Alexandra de 19 anos, com um bebê de um ano no colo todo pipocado de bolhas vermelhas pelo corpo.
- Nós não temos sala de isolamento. Fica naquele corredor que está mais vazio que eu vou pedir para aumentar o ar. – Responde a enfermeira já saindo.

A mãe passa pela sala da Pediatria cheia de crianças chorando e uma penca de mães esperando atendimento. Ela se encaminha ao correndo indicado e senta com o filho no colo. Ele chora e olha pra ela coçando as bolhas como quem diz: " mamãe está doendo". Ela entende a angústia do filho e responde: - Calma filho a mamãe sabe que coça. Deixa a mamãe te ajudar a coçar. Não chora tá. – Depois de mais de duas horas de espera, ela e o bebê são chamados para a consulta com a pediatra.

Quem lê o relato acima possivelmente irá logo imaginar um hospital público super lotado com pessoas angustiadas por toda parte. Apesar do longo tempo de espera, do hospital realmente estar lotado, trata-se de um hospital particular muito conhecido da zona oeste do Rio de Janeiro, onde muitas pessoas passaram boa parte do dia na espera.

Seis horas antes, na porta da emergência do hospital, para um táxi. Ele tráz uma senhora desmaiada e sua mãe muito nervosa. Logo depois chega a filha e toca a campainha da emergência. Depois da segunda tentativa e após três minutos entra a enfermeira de cara amarrada na porta.
- O que foi. – diz a enfermeira.
- Minha mãe desmaiou. Tem que ajudar a tirar ela do carro logo. – Responde a filha nervosa desejando que a enfermeira tomasse uma atitude logo.
Na maior calmaria do mundo a enfermeira entra e volta.
- Ela anda? – pergunta a enfermeira após saber que a paciente está desmaiada.
- Claro que não. Ela desmaiou e tem o lado esquerdo paralisado por conta de um AVC. – responde a filha.
Depois de retornar e pegar a cadeira de rodas é a filha, a mãe e o motorista que colocam a paciente na cadeira de rodas e levam para dentro da emergência.

A médica aparece pergunta o que houve. Manda colocar ela na cama. A filha da paciente tira a prótese da mãe e ajuda a tirar a roupa dela. Por fim colocam-na na cama. As cinco enfermeiras estão fofocando alto atrás da bancada que fica no meio da sala de emergência e apenas uma vem cuidar da paciente. A calma da equipe contrasta com o nervosismo e ansiedade da família. Por volta das 22 horas encontro com a filha e ela desabafa: - Aqui é horrível. Viemos porque era o hospital mais perto. Sempre alguém da família tem que ficar de olho na minha mãe. Algumas enfermeiras não têm atenção e agora que a emergência está lotada muitas não têm boa vontade. Fiquei quarenta minutos esperando alguém para trocar minha mãe. Tive que pedir para outra enfermeira porque a primeira tinha sumido.

Ela continua contando seus problemas, na hora de fazer a ressonância teve que levar a cama, pois a enfermeira informou que se fosse esperar alguém do setor iria demorar mais. Além disso, tanto depois da ressonância quanto depois do eletro, as enfermeiras esqueceram-se de ligar o monitor e teve que ficar chamando por elas. Agora o problema era a internação. Desde às 18 horas a médica disse que tinha pedido a internação. Às 19 horas trocou o plantão e quando foi 20 horas descobriu que a médica esqueceu-se de pedir. Só às 21 horas, o médico fez o pedido e agora estava esperando para subir para o CTI com ela.
- É um absurdo a forma como tratam os pacientes. Todos aqui pagam planos de saúde caros e ficam horas na espera pelo atendimento que é péssimo. Parece que estamos pedindo favor e não pagando por tudo. Só uma diária de CTI custa seis mil.

A maior parte das enfermeiras têm má vontade com os pacientes e ficam deixando o banho, por exemplo, para a equipe que assumir depois. Essas por sua vez reclamam do excesso de trabalho. Médicos como neurologista também não vão todos os dias passar visita aos pacientes. E as informações dadas às famílias são vagas. Além disso, muitos quartos estão mofados, as portas dos banheiros são pequenas e quem necessita de cadeira de rodas não consegue tomar banho no chuveiro. A cama dos quartos é desconfortável e a cadeira para o acompanhante dormir é uma piada. O que eles chamam de campainha é uma luz vermelha que acende na porta do quarto, ou seja, se a enfermeira não passar pelo corredor não ira saber que o paciente está precisando de ajuda. Tudo isso deixa as famílias mais preocupadas e ansiosas pela alta.

Para os familiares do CTI a situação é muito pior. A visita é de 15 horas até às 16 horas sendo que eles não liberam a entrada de quatro pessoas por dia. Dois cartões são entregues às 15 horas e outros dois às 15h30. Os familiares reclamam que não podem fazer o revezamento desejado e muitas vezes o médico passa informações a amigos que estão fazendo a visita. Ana Júlia nos conta que seu pai está internado há um mês no hospital.
- Tudo aqui é um absurdo. Meu pai foi para o quarto e em vez deles o liberarem logo ficaram prendendo-o. Acabou que teve pneumonia e precisou voltar ao CTI. Muitos netos têm dificuldades para visitá-lo, pois trabalham e não podem visitar nesse horário. Deveria ter duas opções de horário. No fim de semana é uma confusão porque todos que trabalham querem vim e só podem entrar quatro. Eu acabo sempre abrindo mão da visita.

A estrutura física do hospital não é nem perto das melhores. Os aparelhos também não são os mais modernos mas os preços são bem salgados tanto para os planos como para particular. O que se vê por toda a parte são pacientes insatisfeitos. Horas de espera pelo atendimento e lotação total de quartos, CTI e emergência. O que fica dessa experiência é pura indignação. Falta de respeito com a vida humana. Muitas enfermeiras trabalham pelo dinheiro e facilidade de emprego e não por amor a profissão o que causa serio danos aos pacientes. Nem com dinheiro e plano de saúde as pessoas conseguem tratar de sua saúde da forma devida. O caos total da rede de hospitais é visível. Tornou-se apenas um negócio muito lucrativo. A impressão é o que pacientes são números que rendem boas diárias ao hospital. O que se encontra na hora da necessidade é um ambiente hostil onde a vida das pessoas nada importa. Enfermeiras preguiçosas, médicos que somem, liberações que levam horas é o que se encontra em muitos hospitais particulares.

OutLet, quem não quer?!

Por Paula Santos.
OutLet, no Português significa saída, escape. Para as lojas este termo tem como objetivo diferenciá-las das tradicionais, pois as OutLets Brasil funcionam com produtos de marcas com qualidade e o preço mais baixo do mercado.
Agora você vai conhecer o que há por trás dessas lojas que quase não são divulgadas, produtos, marcas, qualidade e desconto. Com base no Nova América, digamos assim, um Shopping teoricamente bonito, bem estruturado e com uma história muito interessante.
Em 1925 foi inaugurada a Companhia de Tecidos Nova América e com as mudanças que estavam acontecendo naquela época, a Companhia foi crescendo e se tornou uma das maiores e mais tradicionais fábricas do país. Em 1995, nasce o Shopping Nova América, preservando a arquitetura original da fábrica, toda em tijolinhos, estilo inglês e com uma idéia inicial de ser um shopping apenas de lojas OutLet, inclusive tendo em sua fachada “Nova América OutLet Shopping”.
Com o passar dos anos, essa ideia foi se transformando em shopping normal, com diversidade em lojas, praça de alimentação e lazer, afinal, cá entre nós, não seriam todos os empresários que topariam colocar sua marca em uma loja com seus produtos mais baratos do que os tradicionais.
“As lojas OutLet não são bem divulgadas, pois não há um interesse dos donos e também por se tratar de produtos mais baratos. Se a pessoa comprar uma roupa, por exemplo, em uma loja OutLet, ela só poderá trocar na própria loja, mesmo que tenha a mesma marca próximo a sua casa, ela terá que ir à OutLet.” Assim afirmou Monique Oliveira, 25 anos, vendedora há três anos e gerente há um mês da loja infantil Joana João, localizada no Nova América.
A gerente ainda acrescentou que muitas lojas não possuem o nome OutLet, como também “OFF”. Todas as lojas que tiverem em sua fachada a palavra “OFF” também são consideradas lojas com produtos e valores diferenciados. Ao perguntar se a enfermeira Andréia Ferreira, de 29 anos, que estava presente na loja comprando roupas para seu filho, sabia que aquela era uma loja OutLet, ela respondeu que não e que também nem sabia que existiam esses tipos de lojas! Então, são ou não divulgadas?!
Estudando um pouco sobre o assunto é possível entender que essas lojas não só vendem produtos com desconto, como os mesmos são de coleções passadas, ou seja, coleções que não venderam nas lojas e para não queimar estoque vão para as Outlets com um preço lá embaixo. Exceto as OutLets de sapatos, como a Nike e Adidas, que vendem somente produtos vindos direto da fábrica.
Falar da Nike OutLet é o mesmo que falar de fila do supermercado. Bem divulgada, ou não, os frequentadores do Nova América simplesmente lotam a loja e chegam a disputar por um par de tênis. Já viu Guanabara em dia de aniversário? O rapaz anuncia uma promoção e todo mundo sai correndo para pegar a etiqueta com o preço mais barato. É mais ou menos assim na Nike! A fila para pagar é bem semelhante, você fica horas esperando, muitas vezes, só por um par de tênis.
O gerente de marketing, Eduardo Leitão, explica o porquê dessas lojas fazerem este tipo de promoção, colocando o produto mais em conta e o que leva as pessoas a comprarem: “Não adianta você ter uma marca bem conhecida e nunca fazer algum tipo de promoção na sua loja. Os produtos podem ser caros, mas se muitos não forem vendidos, é óbvio que será necessário cair com o preço para esvaziar o estoque. No caso dessas grandes marcas de tênis, os produtos são fornecidos direto da fábrica, o que favorece baixar um pouco o preço fazendo com que a pessoa compre mais barato e até revenda aquele produto.”
Na Nike, as pessoas experimentam os tênis loucamente e deixam pilhas no chão, em cima dos bancos, nas prateleiras. Uma desordem total! Imagina os funcionários no final do dia, tendo que arrumar aquilo tudo e pôr tudo no seu devido lugar? Coitados!
Diferente na Adidas, que a coisa parece ser bem mais organizada e os tênis não fogem muito do preço base da Nike. Lá, você encontra os produtos com qualidade, nas prateleiras corretas (risos) e se você for no dia certo e na hora certa, ainda encontra os produtos que já tem desconto na promoção! Para não puxar muita sardinha para a Adidas, você só encontra um problema, os vendedores usam roupas que você não consegue diferenciar quem é vendedor e quem é consumidor.





















O mesmo problema você encontra em lojas como X SITE. As vendedoras normalmente usam roupas que te confundem e você acaba ficando com vergonha de perguntar. A X SITE OFF do Nova América apresenta roupas bem mais em conta, porém muitas com defeitos e também são coleções antigas. Então, se você é uma pessoa da moda atual, não vai gostar das coleções que já passaram.















São essas lojas, dentre outras OutLet’s que completam o Shopping, como Armadillo, Levi’s, Victor Hugo, Carmen Steffens, etc. Vale a pena conferir, mas repito, ainda são mal divulgadas! Galera vamos divulgar para comprar roupas e produtos mais em conta, quem não quer?!