Por Daniel Fellows, da UCAM, na Tijuca
Lá estava eu, depois de mais de 20 anos... Sim, eu fui ao show do Paul em 1990 e também tenho essa noção: já to ficando velho! Mas não é sobre isso que eu quero falar agora. Quero lhes contar sobre minha experiência no último show de meu maior ídolo, Sir James Paul McCartney, que rolou no bairro do Morumbi, em Sampa.
Tudo bem que alguns das gerações mais jovens de hoje o acham “um velho”, mas pô, o cara foi um Beatle, né? Um BEATLE! Só isso já deveria contar como medalha para uma figura tão querida como o nosso baby-face.
Com quase 70 anos de idade, lá estava ele, canhotinho, agitando o estádio do Morumbi, em sua lotação máxima, com sucessos de seus 50 anos de carreira. Beatles, Wings, carreira solo... Tudo foi lembrado da melhor maneira. E a plateia não conseguia parar de ovacionar.
O show
Depois de algumas horas de espera, finalmente chegou o momento. As luzes do estádio se apagaram e Paul McCartney apareceu no palco tocando um dos maiores sucessos dos Wings nos anos 1970, “Venus & Mars/Rock Show”, o que já fez muita gente ao meu lado se debulhar em lágrimas. Logo depois, quase que emendada no primeiro medley, veio “Jet”. Comecei a sentir minhas perninhas querendo pular sem que meu cérebro mandasse. Foi aí que eu tive a noção: “Estou aqui! CARA, EU TÔ AQUI!”.
A apresentação foi se desenrolando e cada vez mais os sucessos do cavalheiro da Rainha da Inglaterra foram impressionando as pessoas que estavam presentes. Quando “All My Loving” começou, foi muito fácil achar que estava chovendo. Lá de cima da arquibancada, eu conseguia ver TODO MUNDO CHORANDO. Quase me contagiei, mas pensei: “Peraí, estamos no show pra nos divertir, não para chorar”. Logo depois eu entenderia na carne que o choro era por causa do mais puro sentimento de felicidade.
Mais algumas músicas se passaram e a emoção foi cada vez mais tomando conta do meu cerne, que já estava quase cedendo a momentos de alcance ao NIRVANA da alma.
Minhas lágrimas
Aconteceu, finalmente, quando Sir Paul, em um dos breves intervalos entre uma música e outra quase chorou também. Ele se esforçou para falar em português com a plateia, que não acreditou no que estava ouvindo: “Eu escrevi essa música para o meu amigo, John!”, disse, em um sotaque macarrônico. A comemoração ensandecida dos fãs foi ensurdecedora. E Paul começou a dedilhar as cordas de seu violão...
Durante a canção, imagens emocionantes de Lennon passavam por detrás do palco, em um telão gigante que até quem estava do lado de fora do evento conseguiria enxergar. Os Beatles abraçados, John e Paul se cumprimentando, shows ao vivo dos fab-four de Liverpool... Daí me veio à cabeça novamente: “CARA, EU TÔ NO SHOW DO PAUL! UM BEATLE! OS BEATLES!”.
Nesse exato momento, fui totalmente incapaz de camuflar meus sentimentos e as lágrimas rolaram soltas. Me redimi. “Estou chorando, mesmo! Qual é o problema!”, gritei dentro de minha cabeça.
A música terminou e logo ele emendou mais uma homenagem, desta vez a outro grande amigo, também já falecido, o outro beatle, George Harrison, que Paul começou a homenagear tocando um Ukulele, instrumento havaiano bastante similar ao nosso popular cavaquinho.
A música ia rolando só na voz e no instrumento até que, de repente, toda a banda entrava junto com o astro principal, como se fosse em sua versão original! Eram os Beatles na minha frente, mais uma vez! E lá veio minha segunda leva de lágrimas para os quatro rapazes de Merseyside.
Chegando ao fim
Depois do momento “difícil” que foram as minhas lágrimas, mais alguns sucessos foram relembrados e a plateia não parava de comemorar: “PAUL, PAUL, PAUL, PAUL, PAUL”, entoava a galera, a todo instante em que o silêncio tomava conta do ambiente. Até o Paul quase veio às lágrimas quando percebeu as palavaras que escutava. Momento indescritível.
McCartney se aproximou do fim de sua apresentação fazendo dois bis para o seu público, que comemorou como se fosse o Brasil ganhando pela sexta vez o título mundial em uma Copa do Mundo.
O susto
Ao terminar tocando “The End”, Paul hasteou a bandeira do Brasil e a abanou de um lado para outro, para o delírio de todo o país, que também assistia à apresentação ao vivo, pela TV. Uma chuva de confetes tomou conta do palco. Diante daquela confusão visual que se formou por causa dos flocos de papel colorido suspensos no ar, Paul, que estava pulando de alegria, não percebeu uma das caixas de retorno de som ao seu lado e levou o maior estabaco!
A palteia ficou totalmente estática, preocupada com o que poderia ter acontecido. Foram alguns segundos que pareceram uma eternidade. Ele caiu de cara no amplificador! “Deve ter machucado”, diziam alguns. Outros comentavam mias baixinho: "Será que ele vai ficar com alguma sequela?". Eu fiquei apreensivo. O tempo parecia ter congelado... Mas logo depois, para o meu alívio e o de todos, Sir Paul, como se nada tivesse acontecido, levantou com mais um pulo e continuou agradecendo à galera. UFA! ELE ESTÁ ÓTIMO!
O grande ídolo voltou ao microfone, se desculpou pela queda, e terminou com uma frase que arrepiou os fãs até os dedões de seus pés: “OBRIGADO, BRASIL! EU AMO VOCÊS! VALEU! THANK YOU!”. Que noite maravilhosa no Morumbi...





















