domingo, 29 de novembro de 2009

NOTAS NO SITE!

Gente!
Estou tentando cumprir os prazos e por isso, vou ler todas as matérias primeiro, dar a nota de vocês, que precisa entrar até a meia noite no site da Universidade, e depois corrigir com calma, mudando os erros e é claro, deixar os meus comentários. Por favor, não fiquem tristes! Eu vou postar meus comentários logo, mas primeiro preciso colocar as notas de vocês. Daqui a pouquinho, vocês poderão entrar no site e conferir as notas. Aproveito para parabenizar a todos pelas matérias e entrevistas. Isso é uma escola e todos aqui estão aprendendo. Gostei muito de orientar os trabalhos. Um abraço, Renata Feital

PS.: AGORA NINGUÉM MAIS PODE POSTAR MATÉRIA

EDITORIAL 2009.02



Há várias formas, métodos e meios para se enxergar o que é alternativo, e todos têm seu conceito sobre o que seria isso. No nosso caso, podemos considerar o jornalismo alternativo da mesma forma que encaramos outras modalidades alternativas. Hoje, por exemplo, é muito mais alternativo ver alguém tocando música erudita em um oboé, do que ver alguém tocando na guitarra, o hit do momento. No entanto, a música erudita existe ha séculos, enquanto o rock, pop e outros gêneros surgiram há poucas décadas.

O ponto principal de um projeto alternativo como o Outro Lado é tentar manter o espírito inovador a todo custo, usando métodos apurativos de forma heterogênea, fazendo uma abordagem cuidadosa e especificamente preocupada em não se repetir, em não copiar ou escamotear ideias alheias.

Buscar a essência da noticia é o que importa e transparecer isso no papel transforma o tradicional em alternativo. Para alcançarmos tal feito, utilizamos todos os tipos de escrita cabíveis, seja em formato de noticia, crônica, conto, poesia.Tendo como finalidade interiorizar no público informações que ultrapassem o próprio papel do que definimos como informação, que existam por si só, alterando a rotina e tornando-se relevantes para a evolução do conhecimento humano.

 

Para os que se dedicam a essa atividade, devemos lembrar que os mais rememorados são aqueles que se entregaram de corpo e alma a alternativa jornalística, vide Truman Capote, Gay Talese e, é claro, o polêmico Hunter Thompson, que soube como ninguém inovar com o seu jornalismo gonzo, incluindo-se na notícia, mostrando que o jornalista não é um mero reprodutor de discursos, mas alguém que influencia esses discursos, já que ele interpreta a realidade que se apresenta.

O inusitado nunca foi tão bem quisto como aqui, onde pode transitar livremente por entre todos os assuntos possíveis na sociedade, desferindo uma gama de sensações tanto para o leitor como para o jornalista, fugindo da falsa noção de objetividade da grande mídia.

Moderação, imparcialidade e lead vão por água abaixo. Nós saímos de cima do muro, tomamos partido, ignoramos cronogramas, rejeitamos clientelismos, rapapés editoriais ou outras formas de controle.A única coisa que obedecemos com rigor de lei é a ética.A fina linha que separa o alternativo do vulgar, o jornalista do fuxiqueiro, o homem do irracional.

Diante de nossos olhos temos a oportunidade de dispor de um mecanismo de informação diversificada, que não obedece a regras, tendências ou modismos, que é pertinente ao tempo e sobrevive à historia como parte da mesma, servindo e sendo servido por quem compõem a sociedade.

Nós, de o Outro Lado, queremos os detalhes, as imprecisões, e as impressões dos fatos que não têm espaço em outros veículos, procuramos exatamente o indivíduo sem voz ativa, o esquecido pela formalidade do lead. Evitamos suprimir ideias ou cortar contrariedades, somos fãs da espontaneidade surgida de todos os cantos da cidade.

Preparados para visões e opiniões diferentes? Não deixem de registrar suas opiniões. Elas vão nos ajudar a fazer um jornalismo cada vez melhor.

Boa leitura!


Rodrigo Martins





sábado, 28 de novembro de 2009

Crente “gay”? Ai, que babado!


Uma revolução no mundo gospel. Agora tem igreja evangélica para homossexual.
Por Ingrid Costa

Como deve ser evangélico e “gay”? Ao pensar sobre este assunto, deparei-me com alguns preconceitos (no melhor sentindo). Quando penso em evangélicos, a primeira impressão que tenho é de pessoas que zelam pela “moral” e justificam seus atos pela fé em um ser superior e na bíblia. Mas ao pensar no homossexual, a ideia que tenho é totalmente diferente. Significa quebra de padrões morais. Para tentar entender como funciona a junção desses mundos tão distintos (pelo menos pra mim), fui à Igreja Cristã Contemporânea, uma denominação inclusiva, que adequou o homossexualismo ao cristianismo.

Em pleno domingo, às nove horas da manhã, eu estou na Avenida Mém de Sá, Lapa – Centro, RJ a caminho da igreja. Na recepção, um homem de terno e gravata e mais dois homens com roupa social, algo bem formal. O homem de terno é o Pastor Fabio e os outros dois são membros da igreja. Sorrisos não faltaram para receber quem chegasse por lá,
– A paz do Senhor! Disse o pastor.

A reunião estava cheia, a maior parte de público é formada por homossexuais, principalmente por casais tanto de “gays” quanto de “lésbicas”. Eu sentei ao lado de um casal gay, membros do local. Ao final da reunião, vieram falar comigo e me desejar boas vindas. A propósito, ganhei um chocolate e um livro – A BÍBLIA SEM PRECONCEITOS, escrito pelo fundador da Igreja Cristã Contemporânea, o Pastor Marcos Gladstone, que esclarece o homossexualismo na bíblia. Além disso, este livro de apenas 59 páginas conta também a história Pastor Marcos ao lado do seu companheiro Pastor Fabio Inácio.
O casal de pastores é recém casado. A cerimônia aconteceu dia 20, no Alto da Boa Vista. É o primeiro casamento homo-afetivo entre pastores evangélicos do país. Conversei com o Pr. Fabio que me disse ter um relacionamento de quase quatro anos com Pr. Marcos.
– A gente se conheceu aqui mesmo na Contemporânea. Após três meses, nós percebemos que estávamos nos apaixonando... A partir daí começamos a orar para que Deus nos guiasse, até chegarmos hoje ao matrimônio. O casamento foi realizado apenas no religioso por um pastor da Comunidade Cristã Nova Esperança, de São Paulo, pois no Brasil, a união de homossexuais ainda não está bem definida judicialmente.

A aceitação na comunidade evangélica não é boa. Para ser cristão é preciso atender a vários critérios. Há muita gente contra essa visão inclusiva do homossexual, sendo homossexual, sem submetê-los a nenhuma sessão de exorcismo ou algo parecido. Perguntei ao Pr. Fabio como eles são vistos por esta comunidade e sua resposta foi a seguinte:
- Sabemos que não é nada seria fácil. A aceitação não é das melhores pelos outros irmãos, mas não iremos desistir. Quantos homossexuais já saíram ou deixaram de entrar no meio evangélico por não serem aceitos. Existem muitas vidas que precisam ser resgatadas”- disse.
No Brasil, os gays que desejam ser evangélicos podem escolher entre pelo menos três igrejas: a Igreja Cristã Contemporânea, a Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), denominação americana que têm filiais em Estados brasileiros e a Comunidade Cristã Nova Esperança.
O Templo da Contemporânea é aparentemente pequeno, entretanto percebi que é um prédio de dois andares. O ambiente é muito acolhedor. A primeira imagem que se vê ao entrar é o altar que fica de frente para a entrada do templo decorado por um lindo céu azul com nuvens feitas em textura (tipo pátina) na parede, juntamente com vasos de flores, duas cadeiras douradas (estilo colonial, elegante e imponente) e um púlpito transparente. Os membros e visitantes ficam bem acomodados nas cadeiras acolchoadas. Nos três andares há ar condicionado, quatro ventiladores, três TVs... Eh parece que a coisa vai bem!


Nesta altura, o discurso ou “pregação” já havia começado e todos estavam atentos para tudo que era dito. O tom suave e agradável do Pr. Marcos tornava a mensagem ainda mais reflexiva, instruindo aos fiéis o modo certo de agir segundo a fé para uma vida cristã bem sucedida. Chega o momento das arrecadações – a hora do dízimo – os argumentos utilizados para justificar este momento vão desde o “lado espiritual” da coisa até a necessidade do templo. Segundo ele, o diabo ganha força para roubar, matar e destruir quando o fiel deixa de dar o dízimo. Porém, Deus ama a prosperidade. Saindo do misticismo e indo para a realidade, a igreja precisa pagar aluguel e só deste templo o valor é de R$3.200,00 por mês (fora os outros templos de Campo Grande e Nova Iguaçu), mais as despesas de luz, água e etc. Envelopes são dados para cada um por sua contribuição (Para desafiar o diabo, diz o Pastor), algo sem nenhuma pressão...

A doutrina da igreja é muito semelhante a de qualquer outra igreja evangélica tradicional. Os membros são orientados para as boas práticas da moralidade. Não fumar, não beber, sexo só depois do casamento... ops! Neste caso, há uma adaptação para a condição dos gays. Eles são ensinados para não serem levianos quanto ao sexo e somente fazerem com amor e fidelidade ao parceiro. Romântico, né?

Se por um lado a Igreja Contemporânea é revolucionaria pela luta contra a homofobia no meio protestante, por outro ainda não conseguiu abandonar o discurso de uma religião fundamentalista, onde apenas a sua visão é correta e os que ficam de fora dela, estão como“enganados” e não receberam os mesmos benefícios divinos que eles estão aptos a receber. Para ser “crente” nesta igreja os critérios são basicamente os mesmos das outras, como relatei a cima, o que difere é que aqui pode ficar livre para “soltar as frangas e espalhar purpurinas”, sem medo de ser feliz.
















quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sóbrio Só Por Hoje




Por Antonio Jordão


Sexta Feira, duas horas da tarde (13h, se não fosse o horário de verão), sol escaldante. Um dia perfeito para um bate papo descontraído com os amigos acompanhado de uma cervejinha bem gelada! Meus períodos iniciais na faculdade (1º e 2º) foram marcados por dias como estes, quando a sala ainda estava cheia e repleta de “bons bebedores”, ou ainda quando os veteranos me chamavam pro bar do escorrega, bem pertinho da faculdade, querendo fazer seu “filme” para conseguir um voto para assumir ou continuar na presidência do Diretório Acadêmico.

A verdade é que a cerveja e bebidas alcoólicas em geral despertam bastante meu interesse e resolvi entrevistar alcoólatras e ex alcoólatras para saber se começaram, assim como eu, a beber nos finais de semana, com os amigos, e como perderam o controle da situação.

Escolhi a sexta feira para fazer a entrevista. Existe dia melhor pra beber cerveja? Quem nunca ficou em pé em frente ao depósito na Lapa, bebendo cerveja a 1 real? Quem nunca falou que ia ao Buxixo, na Praça Vanhargem, na Tijuca, e ia pro SóKana beber cerveja ao invés vez de chopp? (que é bem mais caro) ou quando a grana era curta, ia para a Kombi, ao lado do posto BR, beber Itaipava?! Minhas “pré-nigths” são repletas de momentos como estes.

O local escolhido para fazer a entrevista foi uma gráfica, localizada no bairro da Saúde, perto da boate The Wheek. Lugar onde só trabalham homens, sem ar condicionado, quente pra caramba, e repleto de bares ao redor. Lá fui eu!

Vocês vão conhecer agora a história do ex alcoólatra, Paulo José. Ele tem 61 anos, mora em Caxias, trabalhou, e ainda trabalha, como gráfico (office-boy) na mesma empresa. Elaborei algumas perguntas no meu caderno, enquanto esperava Paulo ser autorizado pelo seu chefe a me conceder a entrevista. Uma vez autorizado, ele chegou todo feliz e se mostrou disposto a me responder todas as perguntas, chegou inclusive, a pegar meu caderno para ver o que eu havia escrito (se esqueceu de o Jornalista ali era eu, vai ver ele se acha jornalista também, já que o diploma não é mais necessário para exercer a profissão...).

Paulo José começou a ingerir bebidas alcoólicas com 20 anos. Colocava açúcar na cerveja, pois achava ela muito amarga. Segundo ele, a bebida lhe proporcionava prazer, bebia para não ficar triste.
- Eu bebia quando estava triste, e mais ainda quando estava alegre. Bebia pra dançar, pra cantar, a sensação era muito agradável - comenta o (ex) alcoólatra. A partir daí, o consumo, feito apenas nos finais de semana, começou a virar um hábito diário. Para manter o vício adquirido, era necessário ter dinheiro, e a cerveja começou a ficar cara pra quem bebia todos os dias, além disso, o efeito era mais demorado.

Foi então que José começou a beber cachaça. A rotina do trabalhador, anos mais tarde, era basicamente assim: acordava às 6 horas da manhã e tomava uma dose de pinga, em seguida, ia para o ponto de ônibus, e num bar próximo, já tomava mais uma, e metros antes de chegar ao trabalho, a terceira dose da manhã. Ao chegar à gráfica, Paulo perdia facilmente a serenidade (termo utilizado por ele próprio) com os colegas de trabalho, principalmente quando o Botafogo perdia. Como sua tarefa principal era entregar serviços nos mais diversos lugares do Rio de Janeiro, ele já sabia de có em qual bar parar, rumo à próxima dose. Essa rotina estendeu-se por quase 20 anos.

O Começo do Fim

Certo dia, Paulo José chegou ao trabalho e foi fazer uma de suas entregas, como de costume. Cada endereço em que parava, era uma dose de cachaça pra dentro. Ao meio do dia ele já não era o mesmo, ficava tonto e com os sentidos alterados. Após uma determinada entrega, ele voltou para a empresa onde seu filho, Eduardo, o esperava. Os dois começaram um bate papo descontraído, quando José começou a tremer, algo que nunca havia lhe acontecido. Pouco tempo depois, ele estava caído no chão, tento uma crise convulsiva seguida de desmaio. Seus companheiros de trabalho o levaram para o Hospital dos Servidores do Estado, nas proximidades, onde ele foi atendido e ficou internado por três dias, tomando soro glicosado durante dois dias.

No hospital, o paciente foi orientado, por um psicólogo, a procurar o A.A (alcoólicos anônimos). No período crítico, o trabalhador não morava com a família, passava a noite em uma hospedaria (10 reais a diária), pois tinha vergonha de voltar para casa.

Após o vexame perante seu filho, resolveu ir ao A.A e parar de beber de vez.
- Eu não aguentava mais, sofria prejuízos físicos, morais e mentais, tinha vergonha dos meus amigos, medo de perder o emprego novamente (ele perdeu o emprego duas vezes por causa da bebida, mas foi readmitido quando parou), e principalmente da minha família. Parei de beber no dia 25 de outubro de 1995. Sofri delírios extremos, mas não voltei a beber. Fui para o A.A para me manter limpo e frequento até hoje, quase todos os dias. As reuniões do grupo salvaram minha vida - comenta.

Sr. Epitáfio, patrão de Paulo, comenta que, quando o expediente está quase no fim e o funcionário ainda está na rua, fazendo alguma entrega, ele liga para a empresa e pergunta se precisa voltar. Até que funcionário chegue à empresa, o horário do expediente já teria se encerrado, Epitáfio, então, libera o funcionário. O patrão comenta que onde quer que seu funcionário esteja, naquela hora, ele procura um grupo do A.A para ir às reuniões.

Antonio: Que tipos de pessoas vão às reuniões?
Paulo: Todos os tipos, de todas as raças, credos e cores. O álcool é democrático, qualquer ser humano, de qualquer espécie está sujeito ao consumo.

Num certo momento, ele pega sua bolsa, de onde tira um caderno de esportes, do jornal EXTRA, de um domingo, dia 30 de março de 2008, com o título: "Alcoolismo chega às divisões de base e assusta o futebol." Uma reportagem que revela o lado perverso da relação de “jovens promessas” com o álcool.
Dados oficiais do Ministério da Saúde mostram que a iniciação já acontece aos 12 anos e que o percentual de usuários na faixa etária até 17 anos vem aumentando. Junto com o jornal, ele me mostra quatro cartões do A.A. O primeiro é o endereço de um grupo, na Rua Beneditinos,10, 10º andar, segundo ele, eu posso precisar um dia (e vocês também). O segundo cartão é de outro grupo, o Grupo Acre de A.A, Rua do Acre, nº 47/7º andar, na Praça Mauá, perto de seu local de trabalho. O terceiro cartão diz o que é o A.A e seu objetivo, destaque para o trecho “o único requisito para tornar-se membro é o desejo de parar de beber. Nosso propósito primordial é o de manter-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade”. O último cartão é uma espécie de oração, chamada de Evocação da Serenidade, eis um trecho: “Concedei-nos Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar”. O ex-alcoólatra faz um alerta aos jovens que tomam todas nas nigths cariocas: “Cuidado quando estiverem em festas e lugares de fortes emoções, são momentos em que o álcool desgarra sua mente de tudo que é sereno, você faz coisas que não teria coragem de fazer sóbrio”.

Antonio: Como é hoje viver sem a bebida? Sente vontade de beber ao ver alguém bebendo?
Paulo: Não sinto mais vontade de beber, nem ao ver alguém bebendo. Descobri o doce, ele satisfaz os desejos do meu paladar e me dá sensações prazerosas.

Antonio: O que acha dos jovens que bebem sem moderação?
Paulo: Eles não têm noção do perigo que é o álcool. Só o alcoólico que sabe. Embora as pessoas dêem dicas, a conscientização tem que partir dele próprio. O problema é que a proibição ostenta mais desejo, e o álcool vem sendo tratado dessa forma. “O A.A não é contra quem fabrica, contra quem distribui, contra quem vende ou consome bebidas alcoólicas, ele apenas ajuda àqueles que querem parar de beber”, destaca José.

Antonio: Você acha que a consumação mínina, ou obrigatória, estipuladas em muitas casas noturnas, é uma forma do jovem adquirir o hábito de beber?
Paulo: Com certeza. A consumação é uma oferta. Ao ver todos bebendo, o jovem vai querer usar o crédito oferecido pela casa para tomar destilado ou cerveja. Mas não acho que isso deva ser proibido, o “cara” que deve se proibir, ele que deve saber seus limites.

Agradeço pela entrevista concedida, e ele, “em off”, me conta mais uma de suas histórias, quando, resumidamente, em 1990, ele atropelou um carro, isso mesmo. Foi parar na delegacia, onde disseram que ele estava em estado etílico. Ele retrucou dizendo que não bebeu, segundo o próprio, um bêbado nunca diz que bebeu. Como forma de agradecimento eu pergunto se o simpático trabalhador gostaria de uma bebida. “Só se for guaraná”, diz Paulo, sorrindo. Desejo que lhe foi concedido. (foto 1)

Na mesma empresa uma história parecida, mas com um final igualmente feliz, o ex-alcoolátra Donato Silvana de 59 anos, começou a beber com 25 anos. Bebendo diariamente, durante 10 anos, o gráfico ficou o mesmo período sem receber pensão da mulher, que havia falecido, por que não conseguia assinar o papel, de tanto que tremia.

Donato (foto 2) não conseguia assinar nenhum documento na presença de alguma pessoa, ficava nervoso e inquieto quando não podia beber. Há 24 anos sem beber, hoje, assim como Paulo José, o doce e o guaraná, são suas preferências.

P.S 1– Todos os nomes são fictícios.
P.S 2 - Donato não quis mostrar seu rosto, por isso aparece de costas na foto.

Fique ligado:

• Atualmente o Brasil detém o primeiro lugar do mundo no consumo de destilados (cachaça principalmente). Sabe-se que o álcool é responsável pela maioria dos acidentes de trânsito, porque altera a percepção do espaço, do tempo e a capacidade de enxergar bem;

• A quantidade máxima permitida segundo o Código Nacional de Trânsito, é 0,6 gramas de álcool por litro de sangue. Esta concentração é equivalente a beber cerca de 600ml de cerveja (duas latas de cerveja ou três copos de chope), 200ml de vinho (duas taças) ou 80ml de destilados (duas doses);

• Segundo a médica Josiane Rose Petry Veronese, em pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas e Psicotrópicos, órgão ligado à Escola Paulista de Medicina, entre estudantes da rede estadual de primeiro e segundo graus da cidade de São Paulo, revelou que 70,04% dos jovens começam a beber entre os 10 e os 12 anos de idade (nos Estados Unidos o índice é de 50,02%);

• Considerada a maior doença social deste tempo, o alcoolismo atinge cerca de 10% da população mundial;

• "Uma pessoa que adquire o hábito de beber vai desencadear aquela série de etapas que envolvem a dependência física e psicológica do álcool. A freqüência do 'beber' produz o aumento da tolerância ao álcool, ou seja, a pessoa passa a consumir volumes crescentes da bebida para ter os mesmos efeitos", explica o Dr. Alexandre Dietrich. "O organismo passa a necessitar de doses alcoólicas para realizar as funções cotidianas, e a pessoa passa a não se sentir bem sem o álcool", completa o médico;

• Alcoolismo é uma doença? De onde vêm as causas?
Sim, o alcoolismo pode ser considerado uma doença crônica. É caracterizado pela compulsão (necessidade forte ou desejo incontrolável de beber); Perda do controle (não consegue estabelecer um limite para parar de beber); Dependência física (manifestações físicas quando para de beber e que são aliviadas com o consumo de álcool ou outra droga sedativa); tolerância (necessidade constante de elevar as dose para obter o mesmo efeito). Embora as condições ambientais influenciem a ingestão alcoólica, muitos indivíduos correm o risco de desenvolver o alcoolismo por causa de fatores genéticos, que são transmitidos de geração a geração.

Visite o site: http://www.brazil-brasil.com/content/view/455/78/ e confira na íntegra entrevista realizada com um médico especializado no assunto. Neste site, você ainda pode realizar um teste para saber se é, ou não, alcoólatra. Boa sorte!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

ARTIGO

Trajes adequados




Por: Antonio Jordão



Recentemente, uma estudante universitária paulista foi expulsa de uma faculdade por utilizar trajes não adequados ao ambiente acadêmico. Após o fato ocorrido, a mídia voltou suas atenções para a estudante e para o fato em si. A universidade paulista, após tanta repercussão, incorporou a roupa que a estudante expulsa utilizava no dia de toda a confusão, uma vez que se viu em uma “saia justa”, pois no país inteiro, psicólogos, sociólogos, educadores, advogados, entre outros, deram o seu parecer, indo contra a decisão tomada pela Uniban, de expulsar a aluna. Vale ressaltar, que grande parte do estardalhaço criado em cima disso, veio dos próprios “colegas” de faculdade, que, ao observarem a aluna, loira, com a maior parte das pernas à mostra, se exaltaram e começaram um ”oba oba” dentro da universidade, gritando, tirando fotos e filmando a cena.

Oba-oba, este, que deveria ser punido. Atitudes como estas que não devem ser toleradas, seja pelo reitor, diretor ou professor. Alunos eufóricos ao observarem uma mulher de saia curta?! Em pleno século XXI?!! em que a cultura do corpo é explorada mais e mais, e programas como o Big Brother Brasil, de maior audiência na televisão brasileira, da emissora mais poderosa do país, exibem, sem pudor, mulheres com pouca e quase nenhuma roupa, com contrato praticamente assinado com uma revista masculina após saírem do programa? E quem repudia? Quais são as restrições que estes programas sofrem? Só podem ser exibidos após às 22h, pois bem, ótimo, é o horário de maior audiência mesmo. O que falar então do programa do SBT, a piscina maluca (dentro do Domingo Legal) apresentado pelo Celso Portiolli, aquilo lá não é uma degradação da imagem da mulher? Vale ressaltar, é exibido na hora do almoço praticamente...que prato cheio, não?!Nós, brasileiros, sabemos muito bem que o nosso país é visto por nós e no exterior, por suas belezas naturais, pelo futebol, pelo carnaval e, consequentemente, por suas mulheres lindas. Não irei destacar os aspectos negativos. Muitos turistas são atraídos para cá com a promessa de sexo fácil, o que realmente acaba acontecendo. Neste sentido, viso ressaltar, que não é novidade as mulheres brasileiras usarem roupas curtas, o próprio clima é propício, seja no ambiente ou local que for, havendo limites e exceções, é claro.

Além disso, todos os brasileiros, de certa forma, estão acostumados com isso, pois é visto diariamente na televisão, em revistas, jornais, e no dia a dia. Dessa forma, munido de todas as “análises” ressaltadas, não entendo a atitude dos estudantes de uma UNIVERSIDADE, lembrando que não é nenhuma escola pública, são universitários, que frequentam uma instituição de ensino superior. Penso eu que para ali estarem, possuem alguma capacidade intelectual e de discernimento, além de uma mente aberta e livre (parcialmente) de preconceitos. Uma vez evidenciada a parcela de culpa dos alunos, é a vez do reitor e da universidade em si. A pior decisão que ele (reitor) poderia ter tomado foi a expulsão da estudante, o que, além de gerar críticas ao próprio reitor, acarretou em uma propaganda negativa para a UNIBAN. É inadmissível que num ambiente repleto de educadores, de professores graduados, uma atitude como esta tenha sido tomada. Algum tempo depois, após a grande crítica sofrida, o reitor volta atrás e reintegra a aluna ao ambiente universitário, de onde nunca deveria ter saído.

Afinal de contas, quais são os trajes adequados para se frequentar uma universidade? Quais os trajes para se frequentar uma escola? Ou melhor, existe roupa adequada? Perguntas como estas não me dizem muito respeito. A mídia, a moda e a sociedade, de forma geral, irão responder perguntas como estas por meio de escândalos, publicações, desfiles, críticas, aplausos, vaias, artigos, análises, fotos...

Frases de MSN







Por: Antonio Jordão Netto


Você provavelmente conhece, já ouviu falar, tem algum amigo ou parente que usa, já utilizou ou ainda utiliza o MSN, ou Windows Live Messenger, programa de mensagens instantâneas do Windows, certo?

Se a resposta for não, procure se atualizar, este programa é um dos mais baixados em sites de downloads como o Baixaki e o Superdownloads, e oferece ferramentas que podem ser benéficas para sua comunicação no dia a dia. Ai vai uma ajuda: MSN Messenger é um programa de mensagens instantâneas criado pela Microsoft. O serviço nasceu em 22 de Julho de 1999, anunciando-se como um serviço que permitia falar com uma pessoa através de conversas instantâneas pela Internet.




O programa permite que um usuário da Internet se relacione com outro que tenha o mesmo programa em tempo real, podendo ter uma lista de amigos "virtuais" e acompanhar quando eles entram e saem da rede. Ele foi fundido com o Windows Messenger e originou o Windows Live Messenger.



Atualmente, dos 323 milhões de utilizadores, estima-se que 140 milhões acessem o MSN com regularidade diária (fonte: Wikipédia).

Se sua resposta for sim, o que é bem provável, você sabe que, além de colocar o seu nick (apelido ou nome) para identificar-se, há também um espaço para o subnick (que fica abaixo do nick) espaço destinado para se escrever uma mensagem pessoal, como o próprio programa sugere.
Já faz algum tempo que eu venho reparando, entre os mais de 500 contatos que tenho (embora não fale com a metade deles), seus subnicks, que são atualizados quase que diariamente. Resolvi, então, copiar algumas destas mensagens, com o intuito de criar um texto com as frases postadas.
Muitas são frases feitas, “roubadas” de algum escritor famoso, pensador, intelectual, poeta... “A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original” (Albert Einstein), poucas pessoas colocam o nome do autor, porém, não foi o caso desta, bastou digitar a frase no “santo Google” para descobrir seu verdadeiro autor. Outras têm como objetivo rimar “Pensa que a vida é bonita e a espera nem sempre é vã, para aquele que acredita na surpresa do amanhã". Algumas são de dor de cotovelo, outras são de indiretas para namorados, ex- namorados (principalmente), ficantes ou alguma pessoa que não vem lhe agradando “Livre, solteira, e desimpedida, não importa o que falam eu só quero curtir a vida”; “Homem é que nem biscoito, vai um, vem 18”; “A fila andou, eu te falei, não deu valor, como eu te amei, agora chora”. Há também as frases religiosas: “Feliz demais! Deus é lindo!”; “Deus observa tudo o que você faz”; “Obrigado Deus”; “Aponta pra fé e rema”; “Tudo posso naquele que me fortalece”. São diversos os sentidos e objetivos, desde frases mais sacanas às frases mais inocentes. Há também, as frases pessoais, é claro, afinal o espaço foi destinado para isso, será que a ideia do Twitter foi baseada nestas frases?
No MSN as pessoas dizem coisas que fazem ou deixam de fazer, o que gostam ou deixam de gostar... “Fui ali e já volto”; “Fazendo a unha”; “Morrendo de dor de cabeça”; “Malhando”; “Não estou, qualquer coisa liga, 9231xxxx”... “Eu odeio azeitona”.

Através das redes sociais, é possível conhecer melhor uma pessoa pela internet do que pessoalmente, é possível conhecer os hábitos de uma pessoa que nem mesmo sabe que você existe. É preciso ficar atendo ao utilizar estas ferramentas de comunicação, apesar de parecerem irrelevantes ou inocentes, não é novidade casos constantemente divulgados pela mídia, desde pedófilos a brigas virtuais, o que pode levar à prisão e até a morte. Portanto, precaução é a palavra certa no que diz respeito a utilização destas ferramentas e de tantas outras disponíveis nos dias de hoje.

Observei que a grande maioria das frases postadas no MSN (o meu pelo menos) destina-se a relacionamentos amorosos, que vão desde namoro ao casamento. Se o namoro vai bem, a frase é romântica “amor, te amo”, agora, se vai mal, o “filme” do cara, ou da mulher, é “queimado” para toda a lista de contatos da (o) (ex) namorada (o) “Reginaldo, te odeio! Seu corno!”; “Nunca te amei mesmo”, “Você beija mal”.
Creio que a constatação de inúmeras frases amorosas no MSN de meus contatos, se deve ao fato de que os contatos femininos prevalecem, e mulher tem mais facilidade (e vontade) de expor seus sentimentos.
Portanto, fiz o garimpo de algumas destas frases (algumas já coloquei como exemplo acima) e fiz um texto com os subnicks de meus contatos.


1º Texto – Uma carta de amor

Edilberta,







Estranho seria se eu não me apaixonasse por você. Você não sai da minha cabeça mais. Quando percebemos o valor da vida, damos menos valor ao passado e preocupamo-nos mais em preservar o futuro, que a Deus pertence. Lembre-se que o passado é lição para refletir, não para repetir. Quando dois corações se encontram, na vontade de Deus é assim, o amor nasce forte no ar e vem pra ficar, não tem jeito, é assim. Nem tudo é como você quer, nem tudo pode ser perfeito, quando você pensa que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.
Meus olhos brilham para ti, como uma sinceridade tremenda. Por vezes se apagam e choram, numa angustia sem emenda. Não tenho medo da vida nem tão pouco de morrer. Só tenho medo que um dia tu possas me esquecer. Não sei como dizer... não sei como explicar...só sei que te amo, e vivo pra te amar!
O fantástico da vida é estar com alguém que sabe fazer de um pequeno instante um grande momento... fantástico... é estar com você.
Milhares de beijos, te amo! Hoje eu te amo mais que ontem e menos que amanhã.


P.S 1 – Será que alguma mulher cairia numa “cantada” tão barata dessa?
P.S 2 – De duas uma. Ou essa mulher foi a primeira na vida desse cara, ou ele é muito feio.

Segundo Texto – Amigo Verdadeiro


Não julgue as pessoas pelas amizades, Judas, por exemplo, tinha amigos exemplares. Vale lembrar, que amigo não é aquele que aparta uma briga, mas sim aquele que chega dando uma voadora. Toda briga tem um vencedor e um perdedor, ninguém ganha o segundo lugar, perde-se o primeiro. A diferença entre o vencedor e o perdedor não é a força nem o conhecimento, mas sim, a vontade de vencer. Todos que entram em alguma disputa desejam vencer, então, se quiser que os seus sonhos se transformem em realidade, acorde. Viva a vida como ela é, viva cada dia intensamente, como se fosse o último de sua vida.
Porém, nem tudo é como você quer, nem tudo pode ser perfeito. Se você não espera o inesperado, não o reconhecerá quando chegar, por isso fique atendo e fique ligado, amigo que é amigo está sempre do seu lado.

Mais algumas frases:
  • Na vida, quem perde o telhado ganha as estrelas;
  • Elogios não me elevam, ofensas não me rebaixam, sou o que sou e não o que acham;
  • No tribunal do amor tenho a sentença lida, a pena que me saiu foi amar-te toda vida;
  • Lembre-se que o importante é beijar na boca e ser feliz;
  • Natureza deusa do viver, a beleza pura do nascer...Uma flor brilhando a luz do sol,pescador entre o mar e o anzol;
  • Se eu conseguir o que quero, vou querer o que consegui?;
  • Não quero um príncipe em um cavalo branco. Quero um vampiro em um volvo prata.
  • Pedro, cadê meu chip?;
  • Sou muito grato a deus por ter me dado a melhor mulher do mundo, te amo;
  • Dado não é informação, informação não é conhecimento, conhecimento não é sabedoria;
  • Você é o álcool em gel da minha gripe suína;
  • Amigas, amo vocês;
  • Thiago, te odeio;
  • Alguém me dá um labrador de natal?;
  • Por que tudo junto se escreve separado e separado escreve tudo junto?;
  • Passando mal;
  • Eu bebo e estou vivendo, tem gente que não bebe e está morendo;
  • Fazendo trabalho de Jornalismo Alternativo;
  • Ufa! Acabei a matéria.















segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ensino público: tá difícil


Por: Silvana Bahia



Às 7 horas da manhã a dona de casa, que foi escolhida entre muitos, Cristiane Costa, chega à escola municipal - cujo nome não poderei revelar - na Praça Seca, para realizar o trabalho que irá “salvar” R$100 a mais no final do mês: aplicar uma prova de avaliação do Governo Federal para crianças do 3º ano (antiga 2ª série do ensino fundamental). Cristiane prepara todo o material da prova na sala da diretoria, enquanto espera alguma professora para conduzi-la até a sala da turma que ficará sob sua responsabilidade nas próximas 3 horas.
Ao chegar à sala de aula a professora vai logo avisando:
_ Hoje nós temos visita, vocês farão aquela prova que eu já tinha falado e, vão se comportar direitinho, vão respeitar a... Como é mesmo seu nome, minha filha?
_Cris... Cristiane.
_ Quero vocês fazendo a prova direitinho do jeito que eu ensinei.
A professora sai da sala, deixando a aplicadora com a “turminha”. Cristiane começa a dizer como será a prova, um dos alunos a interrompe pedindo para ir ao banheiro:
__ Tia, posso ir “no” banheiro?
__ Pode sim, mas só poderei liberar um de cada vez.
E assim a aplicadora tentou continuar explicando a prova, mas foi praticamente impossível. A toda hora um aluno pedia para sair, ora para ir ao banheiro, ora para beber água. As crianças não paravam de conversar, a sala de aula parecia uma feira. Foi aí que Cristiane percebeu que se não falasse firme com a turma não iria conseguir realizar seu trabalho.
__ Olha só! Ooooo... Eu quero falar! Será que vocês podem ficar quietos?
Naquele momento a dona de casa pensou: “Por isso que o Brasil não vai pra frente. E dizem que estas crianças são o futuro do país...”. Respirou fundo, e começou a escrever no quadro as instruções da prova. Um dos estudantes perguntou:
__ O que está escrito aí, tia?
Cristiane virou e disse:
__ Resposta A, resposta B, resposta C e resposta D. Vocês têm que preencher toda a bolinha no cartão resposta, não vale marcar “x” ou fazer um risco.
Após alguns minutos a supervisora de Cristiane entra na sala para dar uma conferida, se está tudo “correndo” certinho.
Cristiane começa a observar que os alunos estão desatentos, quietos, mas sem atenção na prova. A professora a chama no canto e diz:
__ A maioria dos meus alunos não sabe ler.
O espanto é que grande parte dos estudantes tem entre oito e dez anos. A educação no Brasil cada vez mais é esquecida pelos governantes, e essa é a única arma que temos para transformar o futuro.
Cristiane percebeu que aquelas crianças eram semi-analfabetas, e ficou com pena, sentiu um enorme pesar... “Que sementes estamos plantando para o futuro?” se perguntou. Um dos meninos se aproximou e disse:
__ Tia, você sabe o que é papa figo?
__ Não, o que é?
__ É bandido que mata criança. Eles ficam lá no morro, mas eu não tenho medo deles não... Se eu pegar um desses vou dar um montão de porrada!
Cristiane ficou “bege” com tudo o que tinha acabado de ouvir... “Como assim bandido que mata criança, nunca ouvi falar que bandido matava criança” pensou.
A prova foi um tremendo desastre... Os alunos não sabiam marcar as respostas no cartão, tinham muita dificuldade.
__ Tia, já está na hora do lanche? To com fome...
E assim passaram-se às três horas obrigatórias de prova, sendo que as crianças terminaram tudo em menos de uma hora. Infelizmente elas não sabiam nem ler direito, nem prestaram muita atenção em nada...
Nossa dona de casa terminou seu dia cansada, quase sem voz e triste, porque todo mundo sabe que a educação nesse país já não anda muito bem das pernas, mas quando você está lá e vê de perto a realidade, é um choque!
Governantes não deixem nossas crianças abandonadas, olhai por elas, elas são o nosso futuro.

Só para mulheres


Por: Silvana Bahia e Thatiane Dias

“Transforme seu chá de panela em algo a mais. Fuja da tradicional lista de chá de panelas, oferecemos às noivas sugestões bem mais apimentadas para a despedida de solteira.”
É com essa frase em um cartaz colado dentro do recinto que começamos nosso dia.
A pergunta é óbvia e curiosa também! Nós não sabíamos que existia.
_ Porque um sexy shop só para mulheres?
Pausa
Quando chagamos a Ipanema fomos direto ao A2 Sexy Shop, que é aberto a todos os públicos. Um ambiente bacana divido em quatro partes: artigos eróticos, livros, fantasias, filmes. Observamos a loja, e em alguns momentos tivemos que nos lembrar de colocar os “óculos da antropologia”. Durante nossa estadia no A2 percebemos a entrada de dois clientes do sexo masculino. Começamos a fazer perguntas às vendedoras. Elas pareciam não estar com vontade dar entrevista, mas reponderam a algumas perguntas. “Aqui a gente vende do mais óbvio ao mais bizarro” respondeu uma vendedora.
Até a hora que perguntamos:
_ Tem outro sexy shop por aqui?
_ Tem sim, aqui na rua, só para mulheres!
Continuação
_ Você quer saber o por quê? Vem aqui que vou te mostrar! (pega um “consolo”)
Pega! Sente! Aperta! Não é uma delícia? Não é uma maravilha? Dá até vontade de morder! Como é que vou falar isso em outro lugar? Não dá! Se tiver um homem ao lado ele vai pensar e dizer: Mas eu tenho um aqui que é tudo isso! Pega aqui!!! Aí não dá, né?!!
E outra coisa é meu público, tenho mulheres famosas, juízas, casadas, que querem manter a privacidade e aqui é muito tranqüilo até porque ficamos mais escondidinhos.

Quinta-feira, um sol de rachar os miolos, Ipanema bombando às três da tarde, em um prédio normal, ao lado de uma galeria pequena, meio escondido no terceiro andar, na porta a frase: Só para mulheres. Entramos e fomos muito bem recepcionadas por Fulana que nos contou tudo e nos deu muuuitas dicas de como apimentar uma relação, além de falar um pouquinho daquele mundo cheio de fetiches e problemas de relações, mostrando um lado da sociedade que parece não existir, o lado dos relacionamentos por aparência, por nome, dinheiro, levando muitas pessoas à infelicidade, a infidelidade.

Para começar, estávamos lá com o consolo na mão quando surge da cabine Cicrana (uma cliente) e diz: “Você imagina ficar 12 anos com um homem que só faz sexo no máximo três vezes ao ano?”.
E a gente com cara de espanto em uníssono disse: NÃOOOOOOOOOOOO!
“Pois é! Eu fiquei! Estou a quatro meses separada e a procura! Não foi fácil, como não está sendo! Eu já sabia desde que namorávamos que ele não era muito bom, mas depois que casamos ficou muito pior! Ele procurou tratamento durante anos, mas não deu certo e eu canse,i quero viver, cansei de ficar chupando o dedo!"

A fama dos homens é muito grande mesmo, o que a gente sempre escuta é que quando não há sexo no relacionamento é culpa da mulher, é a mulher que não gosta, mas isso não é verdade! E Fulana está aqui pra provar isso pra gente!

A vendedora número 1, a mais espevitada, começa a nos contar algumas das histórias que ela escuta todos os dias. “Algumas clientes se sentem tão a vontade que ás vezes vem aqui só para bater um papo”. E começa a puxar um monte de “produtinhos da felicidade”, gelzinhos lubrificantes com aroma, que esquentam, maquiagem para o corpo comestível, lubrificantes à prova d’água muito mais. Perguntamos qual o consolo preferido das mulheres, ela sem pestanejar responde: “o Rabbit, ele têm 16 funções é o mais vendido! Minhas clientes sempre voltam para beber um champagne e contar como foi à noite, com um sorriso de orelha a orelha!”.

Entre vários “brinquedinhos” eróticos tiveram alguns que muito nos marcaram, no bom sentido é claro, por exemplo, o piercing de pressão para vagina, caramba... Você já imaginou chegar num sexy shop e encontrar um espaço reservado para livros? Pois é, vários títulos sobre sexo, uns bem diferentes como “Existe sexo após a morte?” ou “La Bíblia Del Sexo”.

Um lugar aconchegante, com uma cama cor-de-rosa em formato de coração, uma sala para atender casais e ministrar cursos de pompoarismo, massagem erótica, strip tease é o lugar perfeito para mulheres que querem se divertir ou/e tirar o relacionamento da rotina.

Perguntamos a vendedora número 2, a mais tímida, como era trabalhar num sex shop?
_ É engraçado! Ouvimos muitas histórias diferentes, mas eu sempre digo que ganho a vida vendendo “piru”.
_ E como e a reação das pessoas quando você dá essa resposta?
_ Ah,algumas ficam uns cinco minutos me olhando...rsrsrs, mas eu não ligo, gosto de trabalhar aqui.

O A2 só para mulheres funciona de segunda à sexta, das 10h às 20h, aos sábados das 10 às 18 horas, e aos domingos é o dia de folga. “Depois de passar a semana inteira vendendo “piru” preciso dar uma relaxadinha com meu namorado, né!” afirma a vendedora número 1.

Para as mulheres quem veem o sexo como tabu, mas que acreditam que ainda podem gozar da vida, fica aí uma boa alternativa para aumentar a libido.


Carta aberta de uma negra inconformada


Sou e sempre fui contra todo e qualquer feriado, seja ele de cunho religioso, social ou cultural, porque acho que o fato de ser feriado diminui e esvazia o motivo da “comemoração”, a maioria das pessoas a quem interessaria o fato viaja, vai à praia, faz churrasco, alienado quanto ao seu significado. Vou tomar como exemplo o Dia da Consciência Negra, comemorado no dia 20 de novembro. As diversas manifestações, passeatas e seminários em várias cidades brasileiras (pois em cerca de 225 municípios trata-se de feriado) deveriam servir para fazer a juventude negra acordar e perceber que, entre 18 e 24 anos, seus representantes masculinos e pobres estão sendo exterminados indiscriminadamente. O estado onde mais cidades decretaram feriado foi o Rio de Janeiro, onde mais se mata também, segundo estatística do mapa da violência da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).

O dia deveria servir também (já que a lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro brasileira ainda não rendeu frutos) para divulgar a biografia de Zumbi dos Palmares, Dandara, Gamga-Zumba, Chico Rei, entre outros, e referenciar nossas crianças em termos de identidade. Falar da África e dos africanos, da luta dos negros no Brasil, da cultura negra brasileira e do negro na formação da sociedade nacional, para propiciar o resgate das contribuições dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da história do país.



Dei minha volta pela cidade na esperança de que algum movimento inusitado me tirasse a péssima impressão sobre o dia, vi a estátua de Zumbi ser lavada, os bares cheios. Fui até a Central do Brasil, onde minha reprovação chegou ao auge! No meio “disso tudo”, deve haver algo mais edificantes para nossas negras do que ser representada por mulatas semi nuas, rebolando até o “chão, chão, chão” no “Trem do Funk”na telinha da Rede Glóbulo! Ai, meus sais!




Bem, a quem interessar possa: “Zumbi foi o grande líder do quilombo dos Palmares, respeitado herói da resistência anti-escravagista. Estudos indicam que nasceu em 1655, sendo descendente de guerreiros angolanos. Em um dos povoados do quilombo, foi capturado quando garoto por soldados e entregue ao padre Antônio Melo, de Porto Calvo. Criado e educado por este padre, o futuro líder do Quilombo dos Palmares já tinha apreciável noção de português e latim aos 12 anos de idade, sendo batizado com o nome de Francisco. Padre Antônio Melo escreveu várias cartas a um amigo, exaltando a inteligência de Zumbi (Francisco). Em 1670, com quinze anos, Zumbi fugiu e voltou para o Quilombo. Tornou-se um dos líderes mais famosos de Palmares. “Zumbi” significa: a força do espírito presente. Baluarte da luta negra contra a escravidão, Zumbi foi o último chefe do Quilombo dos Palmares”.




Dinheiro fácil?

Por Daniel Capella e Ingrid Costa


Dinheiro Rápido, Compro e Vendo Ouro, Sex Shop...
Basta dar alguns passos que todos esses anúncios chegam às suas mãos, sem que você tenha o mínimo interesse em qualquer um destes assuntos. São os famosos “papéizinhos”, propagandas rápidas distribuídos na maioria dos grandes centros urbanos, acompanhados daquele barulhinho irritante e padronizado que sai do estalar dos papéis nas mãos dos entregadores, sendo eles (os papéis) responsáveis por parte da sujeira das ruas. Com o objetivo de entender melhor a rotina dos “entregadores de papéis” e a lógica deste negócio, fomos buscar informações para cumprir mais uma pauta de jornalismo alternativo.
Na Praça Saens Peña, Tijuca, debaixo de um sol de rachar os miolos, em meio aquela aglomeração de pessoas, não foi difícil encontrar o primeiro “carinha” oferecendo... quer dizer, impondo o papel bem na nossa frente para apanharmos. O “carinha” (que será chamado assim não com o propósito de ofendê-lo, mas por não querer se identificar) entregava o folheto de empréstimo, o tal Dinheiro Rápido. Ele aparentava ter uns 35 anos, um homem negro, magro e de rosto abatido. Trabalha com isso há três meses e nos informou que recebe por semana a quantia de R$50,00. Ele não estava para conversa mesmo, logo, tivemos de sair em busca de outra fonte, mas percebemos que sua história não é tão diferente dos outros entregadores de papéi ou, melhor dizendo, de muitos brasileiros, que após um bom tempo desempregados tiveram de arrumar um “bico” qualquer para se sustentar.

Atravessamos para outra calçada... Realmente, a dinâmica da cidade é de assustar, pois a quantidade informações que há em um pequeno espaço físico impressiona!
Na outra calçada encontramos uma simpática e atenciosa senhora que atendeu nosso pedido com um lindo sorriso e um pouco de insegurança – Vanderleia, 33 anos, Mora na "Tijuca", entretanto é "cria" (termo usado pela entrevistada) da Providência. Grávida de cinco meses do quarto filho, sendo que sua filha mais velha tem 19 anos. Ela trabalha há três semanas entregando papéis e já conseguiu 12 clientes para a loja Sex shop. Estava desempregada há três anos. Ela estudou até a 4a serie do ensino fundamental. Neste “biscate”, Vanderleia recebe por semana uns R$90,00, que é destinado para o sustento dos seus filhos, pois segunda ela, os pais das crianças não a ajudam em nada (seus filhos são de companheiros diferentes). Anteriormente, ela trabalhava como domestica e chegou a trabalhar para uma companhia de limpeza que faliu. A última "Madame" queria pagar só R$20,00 por faxina, por isso ela arrumou outra ocupação remunerada. Ao perguntarmos o que ela desejava ser quando mais jovem e o que deseja para o presente, observamos uma perspectiva de vida bastante simples, sem grandes aspirações. O que ela sempre quis e quer é um emprego de carteira assinada.


Vanderleia (a esquerda) e Ingrid

O “esquema” para ser um entregador de papel é o seguinte: é preciso ser indicado por algum conhecido que seja de confiança da empresa. O trabalho é de segunda a sábado e dependendo da empresa, pode-se ter o privilégio de trabalhar de segunda a sexta conforme o funcionamento da loja, cerca de 8 a 9 horas de trabalho em pé na rua, faça chuva ou sol com direito a 30 minutos de intervalo para banheiro e lanche, que a própria pessoa precisa levar. Pagamento só no final da semana e tudo é resolvido na palavra ou no boca a boca mesmo, pois é mais seguro e rentável para a loja que os “contrata”. O trabalho é fiscalizado pelos funcionários da loja, cada uma possui dois fiscais que se revezam para fazer as inspeções e se certificarem de que não tem ninguém fazendo corpo mole.
Para saber qual é o perfil de “funcionário” que a empresa busca, por indicação da Vanderleia, fomos até a loja para qual ela distribui os folhetos – Flower Love Sex Shop.



Conversamos com Adriana, funcionária do local, que transpareceu receio em falar do assunto, principalmente sobre os entregadores. Segundo ela, a panfletagem é uma forma de divulgação muito eficiente e traz muitos clientes para loja. Ao perguntarmos qual era o perfil que geralmente se busca para atender esta função, ela responde:
- O perfil é de gente que quer trabalhar (entrelinhas- que realmente estão precisando de dinheiro e topam ficar de 8 a 9 horas por dia em pé entregando papel). Essa foi a única pergunta que ela respondeu, para mais informação teríamos de falar com a gerente, que não estava segundo ela (hum... muito estranho). Até este momento, o que mais nos intrigava era desconfiança de todos para dar informação sobre este tipo de trabalho, tanto pela loja quanto pelos próprios trabalhadores. O clima de ilegalidade ficou no ar.
Mais a frente, encontramos outros dois jovens entregando os papéis. Trabalhavam para um “dinheiro fácil” desses. Fabrício e Bruna são moradores do “Andaraí”, ambos na faixa dos 20 anos de idade. Trabalham de segunda a sexta e ganham a mesma média de salário que Vanderleia. Ambos disseram ser apenas um emprego temporário, estão há menos de um mês no “trampo”.
– É só pra ter um dinheiro pro pagode, pro baile funk – disse Fabrício.
Bruna disse que certa vez, uma senhora perguntou se ela estava entregando dinheiro, após fazer um gesto com a mão. Ela respondeu:"só tenho papel, se você quer dinheiro vai trabalhar”.
Percebemos que grupo de entregadores de papéis é formado por homens e mulheres, de faixa etária variada (em media 16 até 50 anos), pobres e em grande número negros. Cada um com seu motivo para ter chegado ali. Uns por desemprego, outros velhos demais para o mercado de trabalho, falta de qualificação, discriminação e outros por que são jovens e querem ter dinheiro para curtir a balada. Entretanto, todos com objetivo de ter uma renda, mesmo que para isso seja necessário ficar quase 9 horas em pé, sem nenhum tipo de assistência e aguentando o desdém de muitas pessoas que os olham com desprezo. Isso tudo é recompensado semanalmente e ao final do mês este valor não chega a um salário mínimo.

Diversão para todos

Por Amanda Vianna



Na manhã de domingo, decidi dar uma caminhada na Reserva Florestal do Grajaú. Ao invés de ir à praia, decidi fazer um programa diferente. Enquanto caminhava pensava num tema para a minha matéria, já que a que eu ia fazer antes não deu certo. Quando passava pela Praça Edmundo Rego, no Grajaú. Todos os domingos têm a feira de artesanato e recreação para as crianças. Percebi que estava muito cheia, muitas crianças brincando no parquinho, idosos jogando cartas e muitas famílias tomando café da manhã na padaria mais movimentada do bairro. Foi aí que surgiu a ideia de falar sobre a praça e sobre as pessoas que freqüentam. Cheguei perto de uma moça que esta sentada num banco e comecei a puxar assunto.

- Qual o seu nome? Perguntei.

- Jussara

- Você vem sempre aqui, Jussara?

- Sim, todo sábado e domingo trago minha filha para brincar aqui no parquinho.

- Ahh, legal. Respondi.

- Eu gosto daqui, porque a rua fica fechada, têm os cavalinhos, os brinquedos e é muito seguro.

- Jussara você mora em apartamento? Perguntei.

- Sim, por isso que trago a Júlia aqui na pracinha. Ela fica muito presa dentro do apartamento e é bom tirar um pouquinho da frente da Televisão e do computador. As crianças de hoje em dia, só querem saber disso, de computador e televisão. Eu lembro que na minha época era tudo diferente, a gente sabia o que era brincar.

- É verdade! Eu também posso dizer que tive infância, brincava de correr, de pique, era muito bom e hoje é difícil ver crianças assim. Respondi.

- É mesmo. Respondeu Jussara.

Depois de conversar com a Jussara, resolvi andar mais um pouco pela praça e percebi que é um lugar onde se concentra grande parte do comércio do bairro, é “a cara” do Grajaú. Apesar do grande trânsito de ônibus e carros, ele tem um clima de cidade do interior, onde as pessoas saem para passear, conversar com os vizinhos e amigos. Logo percebi um grupo de velhinhos que estavam sentados jogando baralho. Cheguei de mansinho e falei que ia fazer uma matéria sobre a Praça, sobre as pessoas que freqüentam e que gostaria de conversar com eles. Então me apresentei e fui muito bem recebida.



- O que vocês estão jogando? Perguntei.

- Estamos jogando buraco. Respondeu seu Oswaldo.

- Os senhores sempre ficam aqui na praça?

- Sim, todos os dias, na parte da manhã e no fim da tarde. De vez enquanto a gente faz um campeonato de poker também. Minha filha aqui só tem amigos, somos um time que se diverte muito - diz Paulo

- Bacana. Respondi.

- Ohh tem um amigo aqui, quando a gente não está jogando ficamos de conversa fiada. É MUITO BOM! Diz seu Oswaldo.

Enquanto eles jogavam, eu ia conversando, eles são muito simpáticos e engraçados. O seu Paulo disse que mora há 30 anos no Grajaú e nunca pensou em morar em outro bairro. "Sou muito feliz aqui, é um bairro muito tranqüilo".
Mas eu queria saber o que mais tem de bom na praça além do jogo de cartas e elas logo me responderam que todos os dias, na parte da manhã tem aulas de ginástica. Seu Paulo disse que depois que ele começou a fazer os exercícios de alongamento melhorou bastante das dores na coluna. “Quando a gente chega nessa idade não pode parar, porque se não enferruja” (risos). Perguntei se podia tirar uma foto e o seu Oswaldo disse: Mas vai queimar a foto com um monte de velhos...rsrs to brincando minha filha, pode tirar sim vai ser um prazer. Depois de conversar com eles fui para casa escrever o texto, mas o que mais me cativou foi a simpatia desses senhores.

Dieta: um vício das mulheres

“Emagreça 5kg em 10 dias”, “Chá branco é a solução”, “20kg em um mês”, “Tudo para você arrasar nesse verão”...
São essas manchetes de revistas populares, que fazem jovens, mulheres de meia idade, e até as mais velhas, gastar muita grana na tentativa de um belo corpo.
De dez jovens que foram questionadas, pela internet, se já haviam comprado uma revista como essas, todas responderam que sim, perguntadas se a solução dada pela revista funcionou, todas disseram que... NÃO!


Fazer dieta se tornou uma atividade diária de muitas mulheres, Isabela, tem 20 anos e é estudante, desde os 15 anos compra revistas e livros de dietas, umas ela tenta, outras são esquecidas, e de algumas são aproveitadas, pegando uma coisa de uma, outras coisas de outra, juntando os pedaços de muitas, fazendo um 'mixer' de dietas.
- Já experimentei muitas dietas de revistas, e muitas dicas, de chás, frutos e sementes, até hoje eu tomo chá verde, chá branco, já experimentei o chá das 30 ervas, mas esse não consegui seguir. Nem sempre as dietas funcionam, as vezes eu desisto, mas logo me rendo a outras- Conta Isabela.
Segundo ela talvez as mulheres comprem pelo associação com as famosas magras e gostosas nas capas. - Quando diz o nome da famosa, você já fica mais atenta, quando diz que a famosa experimentou então, ai que ganha muitas leitoras-. (A repórter confessa que por muitas vezes, parou em frente a uma banca, para ver as dietas dos famosos estampadas nas capas, mas isso fica em off!)

Mas não são só as jovens que se rendem aos encantos, e desencantos, dos regimes. Ana, aos seus 47 anos, confessa que até hoje se rende ao mundo das dietas, “Vire e mexe eu compro umas revistas, no meu trabalho sempre tem chá, desses que emagrece, eu e umas colegas de trabalho fizemos um acordo, cada semana uma compra o chá para todas, e a gente vai se ajudando. Quando minha filha, que tem 19 anos, resolve entrar em uma dieta então, eu acompanho ela, rs, dou apoio e aproveito para tentar emagrecer um pouquinho”.
Em um site de relacionamento, existem comunidades do tipo “dane-se eu faço dietas malucas”, “diário de uma dieta”, “dietas para emagrecer” e “amo ler revistas de dietas”, juntas são mais de 15 mil pessoas participando, dando dicas e acompanhando tópicos, contendo dietas, '5kg em 3 dias!', 'Dieta da bolacha água e sal', 'você já desmaiou de fome e teve medo de continuar?', 'Você já conseguiu passar uma semana só com água e caminhada?' (repórter fica chocada! Só água e caminhada? Essa é dura, alguém aguenta?, frases que nos levam a crer que para muitas esse assunto é levado bem a sério, são diversas tentativas, constantemente.
sabela me disse que uma amiga estava tão incomodada com seu corpo e com psicose de amagrecer que chegou tomar remédios sem instruções médicas e até mesmo laxantes, - As vezes ela vomitava quando comia algo gosduroso, vomitava por querer, ficamos com medo dela estar ficando bulimica, a gente tentava dizer que estava errado, mas não adiantava nada, pouco tempo depois os pais dela descobriram e deram um jeito. Essas coisas eu nem penso, me restrinjo as dietas de revistas e livros, sem medicamentos, a não ser una que vendem nessas casas de produtos naturais, já tomei desses algumas vezes, mas eles são compostos de ervas, não tem química, ai acho que não faz nenhum mal. Eu já procurei um médico para fazer dieta, mas nunca da para seguir por muito tempo os que eles mandam, eu até cheguei a pedir que me receitasse remédio, mas o médico se negou, dizendo que eu era muito jovem para me viciar em remédios de ansiedade e de emagrecer, no fundo eu acho que ele ta certo-.
Esse mundo das dietas, ao contrario do que se possa pensar, envolve as pessoas, culpa dessa sociedade que cobra o corpo perfeito, deixando principalmente as jovens insatisfeitas com seus próprios corpos, “Eu vejo muitas amigas da minha filha que são magras e cismam em fazer dietas, eu falo para elas, pra que? Seu corpo já e lindo, mas não adianta, elas nunca ficam satisfeitas”, conta Raquel, uma amiga de Ana que estava com a gente na hora do seu depoimento. O que acontece que muitas estão preocupadas em agradar os outros, o que os outros consideram um corpo perfeito, e por isso ficam na psicose de emagrecer, Isabela mesmo (que me pediu para não postar nenhuma foto), não me parecia nenhum pouco gorda, ou acima do peso, para mim ela era uma adolescente normal, muito bonita e com um corpo saudável, quando disse isso, ela me respondeu obrigada, mas disse que as vezes ela se olhava no espelho e achava que podia emagrecer mais.

Depois de ouvir tudo isso, de conviver com algumas amigas que se encaixam nessas posições, posso afirmar, que realmente, existem pessoas VICIADAS em dietas!


VIDA DE GARI!

Com a vassoura afiada na mão, ele vem puxando o carrinho coletor. Todos os dias é a mesma coisa, enfrenta o sol forte ou a chuva. Seu trabalho é bastante puxado, 44 horas semanais, mas muita gente não dá valor. Assim é a vida de Gari.
Todos os dias quando vou à faculdade ou ao trabalho sempre me deparo com um Gari, passo e dou bom dia, mas será que todos são assim? Encontrei um varrendo a rua Uruguai e resolvi parar e conversar com ele. Expliquei que estava fazendo uma matéria sobre a vida de gari e ele foi logo recuando, mas com um jeitinho consegui arrancar algumas palavras dele.

- Qual o seu nome?
- Roberto
- Onde você mora, Roberto?
- Eu moro em Nova Iguaçu.
- Nossa muito longe, né? Mas que horas você acorda para chegar tão cedo na Tijuca?
- Todos os dias acordo 4 horas da manhã para chegar as seis e meia no trabalho. Estou há 10 anos na Comlurb, o trabalho é puxado, mas me acostumei. Quando a gente chega lá na subprefeitura fazemos exercícios de alongamento antes de pegar no batente. É legal e ajuda muito.

Bom, a conversa começou a rolar e ele foi se soltando aos pouquinhos, falando que tem dois filhos um menino de 15 anos e uma menina de 12. Perguntei se era verdade que tinha pessoas com nível superior trabalhando como gari e ele disse que não sabia, mas se tem é porque a necessidade fala mais alto.

Mas eu queria saber mesmo sobre como as pessoas enxergam o Gari, como é a visibilidade pública. Ele responde dizendo que muitas pessoas não percebem e que às vezes se sente invisível, as pessoas só enxergam a função e não a pessoa. “Um simples bom dia significa muito, tem gente que fala, mas a maioria não parece até que eu não existo...rsrsr.”

No meio da conversa chega uma colega de trabalho de Roberto, a Cristiane, ela varre parte da rua Conde de Bonfim. Quando ela se aproximou perguntou o que ele estava fazendo e ele disse que estava conversando comigo e explicou que eu estava fazendo um trabalho da faculdade sobre os Garis. E ela aproveitou a oportunidade para falar do Élson Júnior.

- Você conhece o Élson?
- E eu respondi que não, mas fiquei curiosa para saber quem era. Quem é Élson?
- Ele apareceu no Fantástico, é aquele Gari que tocou piano com o neto do Tom Jobim.
- Você não viu colega?Ahh foi muito legal ver ele na televisão, ele também dá aulas de violão e de teclado. Eu sei que ele fica no centro, mas não sei a rua.

Depois que me toquei e lembrei-me da reportagem.
Então, comecei a conversar também com a Cristiane, ela mora em Caxias, trabalha há 3 anos, na Comlurb e também tem 2 filhos. Mas percebi que ela estava toda maquiada, com o cabelo arrumadinho, com brincos e tal. Até fiz uma brincadeirinha com ela, perguntei se ela ia para uma festa ou se estava procurando um amor.

- Ela de imediato respondeu: Ahh colega, não é porque trabalho como Gari que vou deixar de andar maquiada e arrumadinha. Sou uma mulher muito vaidosa e como trabalho na rua mesmo, quem sabe não arrumo um novo amor...rsrs. Estou solteira mesmo.

Mas perguntei por que ela não tinha namorado, e não é que ela me respondeu na lata que os homens não querem saber de compromisso sério, só querem ficar pegando mesmo. E é claro que tive que concordar com ela (risos). Enquanto a gente conversava o Roberto ficava só ouvindo, todo envergonhado e rindo.

- Perguntei se ela saia para se divertir.
- Claro! Adoro sair, gosto muito de ir pra Via Show e freqüento um pagodinho que tem perto da minha casa...rsrs Adoro dançar!!

Ela me perguntou se eu gostava de pagode e funk, respondi dizendo que não tinha nada contra, mas que preferia ouvir MPB. Enfim..., voltando ao assunto perguntei para os dois se quando eles estão varrendo as ruas ou até mesmo fazendo a coleta das latas de lixo, se eles já tinham encontrado alguma coisa como, por exemplo, dinheiro, algum documento e tal. E elas falaram que é muito comum encontrar moedinhas, principalmente de um centavo. Roberto comentou que já encontrou um chip de telefone.

- Uma vez encontrei um chip da TIM, eu estava limpado a lixeira e vi jogado. Mas deve ser ter sido de algum telefone que foi roubado e o ladrão jogou o chip fora.
- Só isso?
- Não, teve um dia que eu achei uma carteira, ela estava só com a identidade e o CPF da pessoa.
- Mas o que vocês fazem quando encontram esse tipo de coisa no lixo?
- Ahh, eu sempre levo para a subprefeitura e fica no setor de achados e perdidos.

E perguntei sobre o lixo que as pessoas jogam na rua e os dois responderam que tem muita gente mal educada, não respeitam a nossa profissão e acham que só porque tem o gari varrendo as ruas se acham no direito de jogar o lixo no chão.

- E Roberto diz: Depois o pessoal fica reclamando que a rua enche, mas não sabe que o papel jogado nas ruas entope os bueiros, o que provoca alagamento nas ruas.

E perguntei para a Cristiane se ela já tinha encontrado alguma coisa e ela disse que não, só um tênis novinho que ela levou para casa e deu para seu irmão. Bom o tempo foi passando e Roberto disse que tinha que ir almoçar para voltar depois ao trabalho. Então, me despedi e agradeci a atenção dos dois e fui para casa. No dia seguinte resolvi ir até a Praça Xavier de Brito, para ver se conseguia fazer uma entrevista com o Renato Sorriso, mas não tive sorte, ele não estava lá. Voltei para casa e resolvi escrever a minha matéria.

É impressionante essa figura que muitas vezes não é percebida pela sociedade, volta para casa agradecida mesmo por mais um dia de trabalho honesto que sustenta os seus filhos e no dia seguinte tudo recomeça.

Por: Amanda Vianna

Crianças sem sonhos

Por Felipe de Oliveira Araujo Rodrigues

Estou cansado de ver a mesmas crianças espalhadas pelos sinais de trânsito desta cidade. Também estou cansado de ver promotores se vangloriando e criando grandes campanhas que, invariavelmente, dão em nada. Uma semana proíbem a população de dar esmolas, na outra pegam todas as crianças e levam de volta para casa(!).



É óbvio que no mesmo dia todas estão de volta ao mesmo sinal. Também é óbvio que as pessoas, com seu pensamento cristão, não param de dar esmolas. Na cabeça damaioria, eles estão fazendo a sua parte para aliviar o sofrimento, ou ao menos a fome daquelas crianças.

Mas o que vejo é o passar dos anos e aqueles meninos que até ontem eram bebês nos braços de mães pedintes se tornarem malabaristas de sinais e, esta semana, flagrei um desses, tentando roubar a bolsa de uma senhora no banco da frente de um carro.

Isso significa que eles estão seguindo o caminho que lhes restou. Nasceram em uma família pobre, com pais de pouca ou nenhuma instrução que os colocaram para pedir esmolas. Mas, se pequenos eles têm medo, logo percebem, ao crescerem u pouco, que muita gente os teme. Daí para tirarem as coisas à força é só uma questão de ter fome.

E a quem culpar por isso? Os pais dessas crianças são conhecidas do Ministério Público. Vamos prendê-los? E às crianças, o que vai sobrar? Vamos prendê-los também? É preciso pensar em uma forma que resolver esta questão. E na minha opinião, estas crianças estão nos dando a dica para resolver este e outros problemas.


Acho que devíamos parar de fazer leis proibitivas e investir em escolas que funcionam. Com o dinheiro da nova sede da Assembleia Legislativa ou do novo prédio (mais um) da Justiça no Rio de Janeiro, poderia ser construída uma escola com estrutura para manter as crianças e adolescentes o dia inteiro na escola.

O próprio Ministério Público já fez as contas e e viu que elas chegam a mais de 10 mil. Número alto quando se pensa no potencial de desperdício humano e de problemas que podem ser gerados a partir daí, mas muito pequeno para uma escola.

Este mesmo projeto poderia ser levado para as outras grandes cidades do estado e com apenas uma escola destas por município, conseguiríamos resolver o problema das crianças nos sinais, dos furtos, do uso de drogas, da "profissionalização" de futuros bandidos e até da super-população de presos daqui a dez anos. Além disso, até para campanhas educativas e de saúde o trabalho fica facilitado, já que todas crianças estarão num mesmo lugar.

Portanto, ninguém venha me dizer que não há dinheiro para fazer isso, porque tem sim. Não venham dizer que ninguém sabe como fazer, porque há vários projetos que cuidam de crianças em situação de risco, , vamos agir! E para saber mais sobre esse assunto decidi procurar alguém que entenda desse assunto melhor do que eu. E encontrei Geraldo Salvador de Souza, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).



“As pessoas precisam ter perspectivas na vida, do contrário consideram o outro como nada, e também aos próprios filhos. Por isso há tantas crianças nas ruas”, afirma Geraldo Salvador. Temos aí um problema não só político, como cultural e religioso. Por isso a solução tem que vir de toda a sociedade, sem a interposição de vaidades.”



“Nossa religião tem que ser a criança e o adolescente. Quando for, vai mudar”, costuma dizer Salvador. “Precisamos chegar a soluções perenes e continuadas. Não vai adiantar nada passar com a kombi e um funcionário dentro, recolher a criança ou o adolescente e levar para algum abrigo. Tem que trabalhar a reinserção desse jovem na família e, quando não der, levá-lo para um abrigo, mas não qualquer um. Tem que ser um que lhe dê realmente condições de crescer com dignidade e receber formação para se manter. E não é o que temos tido”, disse ele.




“As pessoas, além disso, se esqueceram de Deus”, acha Salvador. “Hoje há homens que têm três, quatro famílias na periferia, mas nenhuma responsabilidade com nenhuma delas. As mulheres têm que se virar. Chego ao ponto de dizer que quase a totalidade das famílias de baixa renda são mantidas hoje exclusivamente por mulheres, mesmo quando os homens convivem com elas. Os homens se transformaram em seres secundários, que não dão valor algum à família. Isso leva a que o ser humano seja tratado como nada. Não faltam só políticas públicas, mas tem que mudar a cultura. A mobilização para ser eficaz tem que ser total, de toda a sociedade: poder público, ONGs, empresários, instituições religiosas, profissionais da saúde, educadores, jornalistas – todo mundo”, finaliza.



Após essa entrevista percebemos que o problema maior não é nem nem a criança estar na rua e sim o que ela faz e apreende. Sem uma mobilização de todos elas só vão continuar a sofrer.

EDITORIAL






Há várias formas, métodos e meios para se enxergar o que é alternativo, e todos têm seu conceito sobre o que seria isso. No nosso caso, podemos considerar o jornalismo alternativo da mesma forma que encaramos outras modalidades alternativas. Hoje, por exemplo, é muito mais alternativo ver alguém tocando música erudita em um oboé, do que ver alguém tocando na guitarra, o hit do momento. No entanto, a música erudita existe ha séculos, enquanto o rock, pop e outros gêneros surgiram há poucas décadas.
O ponto principal de um projeto alternativo como o Outro Lado, é tentar manter o espírito inovador a todo custo, usando métodos apurativos de forma heterogênea, fazendo uma abordagem cuidadosa e especificamente preocupada em não se repetir, em não copiar ou escamotear ideias alheias.
Buscar a essência da noticia é o que importa e transparecer isso no papel transforma o tradicional em alternativo. Para alcançarmos tal feito, utilizamos todos os tipos de escrita cabíveis, seja em formato de noticia, crônica, conto, poesia.Tendo como finalidade interiorizar no público informações que ultrapassem o próprio papel do que definimos como informação, que existam por si só, alterando a rotina e tornando-se relevantes para a evolução do conhecimento humano.
Para os que se dedicam a essa atividade, devemos lembrar que os mais rememorados são aqueles que se entregaram de corpo e alma a alternativa jornalística, vide Truman Capote, Gay Talese e, é claro, o polêmico Hunter Thompson, que soube como ninguém inovar com o seu jornalismo gonzo, incluindo-se na notícia, mostrando que o jornalista não é um mero reprodutor de discursos, mas alguém que influencia esses discursos, já que ele interpreta a realidade que se apresenta.
O inusitado nunca foi tão bem quisto como aqui, onde pode transitar livremente por entre todos os assuntos possíveis na sociedade, desferindo uma gama de sensações tanto para o leitor como para o jornalista, fugindo da falsa noção de objetividade da grande mídia.
Moderação, imparcialidade e lead vão por água abaixo. Nós saímos de cima do muro, tomamos partido, ignoramos cronogramas, rejeitamos clientelismos, rapapés editoriais ou outras formas de controle.A única coisa que obedecemos com rigor de lei é a ética.A fina linha que separa o alternativo do vulgar, o jornalista do fuxiqueiro, o homem do irracional.
Diante de nossos olhos temos a oportunidade de dispor de um mecanismo de informação diversificada, que não obedece a regras, tendências ou modismos, que é pertinente ao tempo e sobrevive à historia como parte da mesma, servindo e sendo servido por quem compõem a sociedade.
Nós, de o Outro Lado, queremos os detalhes, as imprecisões, e as impressões dos fatos que não têm espaço em outros veículos, procuramos exatamente o indivíduo sem voz ativa, o esquecido pela formalidade do lead. Evitamos suprimir ideias ou cortar contrariedades, somos fãs da espontaneidade surgida de todos os cantos da cidade.
Preparados para visões e opiniões diferentes? Não deixem de registrar suas opiniões. Elas vão nos ajudar a fazer um jornalismo cada vez melhor.
Boa leitura!




Rodrigo Martins

FESTA RETRÔ

Por Felipe de Oliveira Araujo Rodrigues

Estava eu no meu trabalho quando chegou um e-mail de uma velha amiga, que por sinal a muito tempo não falava com ela, e na mensagem ela me dizer: “Felipe chamei toda a galera e vamos fazer uma festa retro lá na minha casa, vai ser no dia 20, e ai que tal, quer ir?”, a principio a ideia me pareceu meio maluca, mas acabei aceitando.


Bom tinha então uma nova missão, conseguir uma fantasia para a tão esperada fez, e fui ao centro do Rio de Janeiro tentar achar uma fantasia. Logo na primeira loja falei ao vendedor “Me ajuda não sei o que fazer para preparar uma roupa para a festa. Foi ai então que ele me deu uma luz, ou melhor quase uma lanterna, para ele eu devia ir com uma calça boca de sino, uma camisa diferente...e ai vai...

Logo após ouvir as dicas do vendedor fui até uma outra loja e perguntei você pode me ajudar...(e contei toda a história e falei que estava em dúvida no que usar e comprar, ele se mostrou hiper entendido no assunto e logo falou: “Vou te ajudar, eu entendo um pouquinho.”. Nesse momento um lapso de esperança surgiu em meio a um horizonte complicado. Então perguntei: “Como posso ir então?”.

“Numa festa estilo anos 50/60, normal mente a ideia é combinar o visual romântico dos anos 50 com a rebeldia do rock dos anos 60. As meninas devem abusar do new look (pense num vestido acinturado de bolinha e uma fita no cabelo) e os meninos do visual rock’n'roll (camisa branca, calça justa, jaqueta de couro e muita brilhantina no cabelo).”Nesse momento descobri que estava diante de uma pessoas que entendi muito, e não só um pouquinho.

“Os anos 80 foram marcados pelo exagero. Havia excesso de cores, de maquiagem, de elementos. Os tons cítricos e flúor, como verde limão, laranja, azul vibrante estão entre as características desta década. A ideia agora é deixar um pouco para trás o excesso de brilhos e de exagero dos anos 70. Mais do que figurinos caprichados, como numa festa de anos 50/60, ou exagerados, como numa de anos 70, a ideia agora é mais relembrar os velhos tempos, já que a maioria das pessoas que vai numa festa anos 80 realmente viveu os anos 80.” Pera aí, eu não vivi não, nasci no final dos anos 80 e não tenho a menor ideia de como era. Bom mas decidi optar pelo mais simples, uma calça jeans, uma camisa branca e um casaco de couro com um rayban, pronto estava feito o personagem.


Depois de tanto sacrifício pelo menos a festa tem que valer a pena. Bom os dias foram se passando e finalmente chegou a data da tão esperada festa. Me arrumei e fui para a festa. Chegando lá o lado de fora já denunciava que algo não era normal, garotas com seus trajes hiper produzidos pareciam ter saído do tempo que minha vó era virgem.

O que mais se via era vestido de bolinha dentre outras coisas, afinal poucas pessoas tem tempo para ficar procurando e produzindo roupa para festas. Não entendi o porque não fizemos uma festa normal, era muito mais simples, e ninguém precisava gastar dinheiro. Bom eu nem gastei mas certamente alguém fez essa maluquice de gastar dinheiro só para ir a uma festa. Mas após conversar um pouquinho decidi procurar a produtora da festa, afinal vim só para aproveitar e fazer uma matéria. E claro para curtir também um pouquinho. Afinal ninguém é de ferro.




Encontrando a Carla perguntei se poderia dar uma entrevista pois iria fazer uma matéria para um blog, na mesma hora ela falou que sim e já deu o sinal para iniciarmos.

OTLD: “O que você faz dá vida, além de produzir festas?”

C: Eu trabalho numa editora e sou DJ, inclusive toco na festa.

OTLD: É a primeira vez que terá uma festa deste tipo no RJ?

C: Não é a primeira festa focada nesse público, mas certamente é a primeira que vai tocar indie rock, electro, uns vintages legais tipo Brigitte Bardot e Serge Gainsbourg, flashbacks de eletrônico dos 80 e 90. Cada DJ pega mais por um lado, vamos dividir a noite entre eu, DJ Miss Silk (garimpa sons brasileiros interessantes que funcionam muito bem na pista, além de electro) e a DJ DeFátima, que tocava na festa Republika, de indie rock. Uma mistureba, mas tudo de bom gosto. É bem diferente do que já se viu.

OTLD: Você pretende seguir em frente com a FESTA RETRO ou será apenas uma edição?
C:Quero seguir em frente. Estou bancando a festa sozinha porque acredito nela. É um risco, mas vale a pena.

OTLD:O que você pretende com a FESTA RETRO?

C: Quero me divertir e criar um ponto de encontro diferente pra "nossa turma". Outra coisa é que o armário das festas de rock no Rio está lotado. Espero que isso mude um pouco com a festa.

OTLD: Como é o lugar que você escolheu para realizar a festa?

C: Tem sinuca, salão de jogos, dois bares (um no térreo, outro no segundo andar) e cerveja gelada.

OTLD:Você tem algum apoio financeiro na produção da festa?
C:Não, tô pagando pra ver, literalmente. No momento sou exército de uma só . Quem quiser se juntar e ajudar na divulgação, basta me procurar .

Bom chegou a hora de eu aproveitar também um pouco então até a próxima.